"Que te devolvam a alma homem do nosso tempo. Pede isso a Deus ou às coisas que acreditas: à terra, às águas, à noite desmedida. Uiva se quiseres, ao teu próprio ventre se é ele quem comanda a tua vida, não importa... Pede à mulher, àquela que foi noiva, à que se fez amiga. Abre a tua boca, ulula, pede à chuva. Ruge como se tivesses no peito uma enorme ferida, escancara a tua boca, regouga: A ALMA. A ALMA DE VOLTA." (Hilda Hilst)



20/12/2009

Um Ano Dourado 2010

" Déjenme solo con el día, pido permiso para nacer"
(Pablo Neruda)







2010, ano regido por Vênus,
desponta do solo de nossas experiências anteriores numa sexta-feira, dia de Oxalá, como uma flor que a cada mês abrirá uma pétala nova e fresca, colocando-nos em contato com os nossos sonhos mais íntimos, que aos poucos vão cumprindo a sua destinação de co-criar a Vida, da qual somos espectadores e protagonistas ao mesmo tempo...
Entrar em sintonia com a envolvente melodia que prepara esse despertar nos conduz à busca de nossas contribuições para que esse seja um ano iluminado e abençoado, derramando sobre nós toda a preciosidade e grandeza que pudermos acolher em nosso Vaso Mágico e expandir através de todas as nossas relações...

"No amor, todas as coisas são renovadas. O prazer é o sorriso que o amor concede à mortalidade... A morte é uma ilusão. O mais próximo que ela chega da realidade é quando o amor está ausente." (D. Chopra)

Como uma

Janela Aberta Para A Felicidade 2010

entra em nossas vidas eclodindo das profundezas desse vasto mar que compõe o acervo de infinitas possibilidades guardadas no ventre do Criador, como Afrodite renascida da espuma uraniana, fecunda... expandindo amor, beleza, bom-humor, alegria, arte, prosperidade, abundância, haromonia...

"Vivo a minha vida em anéis crescentes, que se abrem sobre coisas. Talvez eu não complete o último, mas eu quero tentá-lo. Eu giro em torno de Deus, a mais antiga das torres. E giro por milênios. E ainda não sei: serei eu um falcão, um vendaval ou uma grande canção?" (Rilke)

Um grande abraço, com carinho e gratidão por estarmos em contato




15/12/2009

"Que canto há de cantar o indefinível? O toque sem tocar, o olhar sem ver..." (H. Hilst)

Se todas as tuas noites fossem minhas
Eu te daria, Dionísio, a cada dia
Uma pequena caixa de palavras
Coisa que me foi dada, sigilosa

E com a dádiva nas mãos tu poderias
Compor incendiado a tua canção
E fazer de mim mesma, melodia.

Se todos os teus dias fossem meus
Eu te daria, Dionísio, a cada noite
O meu tempo lunar, transfigurado e rubro
E agudo se faria o gozo teu.
(Hilda Hilst)

Um pouco mais de poesia para acender meu dia...

ROSTO COM DOIS PERFIS

Renuncio às palavras e às explicações
Ando pelos contornos,
Onde todos os significados são sutis, são mortais.

Não quero perder o momento belo.
Quero vivê-lo mais,
com a intensidade que exige a vida:
desgarramento e fulguração.

Então me corto ao meio e me solto de mim:
a que se prende e a que voa,
a que vive e a que se inventa.

Duplo coração:
a que contempla e a que nunca se entende,
a que viaja sem saber se chega
- mas não desiste jamais.
(Lya Luft)



"É preciso estar sempre embriagado. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher." (Baudelaire)


Tem dias que só a poesia pode salvar-nos, na humana lida de cada dia, do tédio e do cansaço que acomete, de tempos em tempos, quem vê tantos horizontes e, mesmo assim, ou justamente por isso, se vê na premência de parir trilhas para que se faça visível alguma estrada... Trabalho quase sempre tão solitário, orquestrado por reverberações da alma, que de tanta vida investida nessa lida, silenciosamente implora por mãos que a toquem com sensibilidade e delicadeza, e por pares que ecoem músicas que a embalem...

Nesses dias, em que o sol se engendra no ventre da noite para fecundar seus sonhos, a poesia aquece e ilumina a promessa do que se anuncia...


"...empurre as mãos lentamente
através da pele do rio
até tocar o coração da beleza
(ruína do tempo impenetrável)

depois as retire lentamente
como se puxasse do infinito
a respiração
da criança nascendo"

(Afonso Henriques Neto)

13/12/2009

XXIII Moitará: Mitologia dos Orixás

"Em cada esquina de minha alma existe um altar para um deus diferente" (Fernando Pessoa)

"Sou um construtor de altares. Construo meus altares à beira de um abismo. Eu os construo com poesia e beleza. Os fogos que acendo sobre eles iluminam o meu rosto e aquecem o meu corpo. Mas o abismo continua escuro e silencioso..."(Rubem Alves)

O XXIII Moitará, promovido pela Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, que aconteceu em Campos do Jordão em 27, 28 e 29 de novembro de 2009, reuniu pesquisadores de diversas áreas falando sobre a Mitologia dos Orxiás.

Foi um grande prazer participar desse Moitará, que versou justamente sobre o tema do meu novo livro, e que não por acaso é um tema que está atualmente em evidência, já que nos coloca em contato com a riqueza de símbolos presentes na constituição de nossa alma multicolorida... E como disse, com tanta propriedade e sabedoria que lhe são características, o meu querido amigo e supervisor do meu Pós-doutorado Marcos Ferreira Santos (FEUSP) em um de seus textos:

"...a herança ancestral é muito maior e mais durável (grande duração) do que a minha existência (pequena duração). Esta herança coletiva pertence ao grupo comunitário a que pertenço e me ultrapassa. Desta forma, temos com esta ancestralidade uma relação de endividamento na medida em que somos o futuro que este passado possuía e nos cabe atualizar as suas energias mobilizadoras e fundadoras. Num resumo: nossa dívida com a ancestralidade é sermos nós mesmos."


"...as vozes ancestrais sempre brotam de nossos porões, daquilo que trancafiamos sem nos darmos conta do que fazemos ao negligenciarmos a ancestralidade que vive através de nós mesmos. Daí a dificuldade em lidarmos com as questões concretas e pragmáticas da vida cotidiana. É preciso ouvir as vozes que ecoam. E elas sempre ecoam de dentro."
(Marcos Ferreira Santos)

22/11/2009

Obrigada Salvador pela calorosa e carinhosa acolhida!!!

"Se me quiserem amar,
terá de ser hoje,
amanhã estarei mudada."
(Lya Luft)


Ana, querida presença no lançamento e no curso, obrigada pelas suas belas palavras em seu Blog, que copio abaixo, ressaltando que foi um grande prazer e uma grande honra lançar o meu livro em Salvador!!!

"Gosto quando um professor consegue me fazer sonhar. E claro, quando este sonho pode se tornar realidade. A experiência começa no momento em que minhas idéias e conhecimentos se unem ao "presente" (considero cada ensinamento desta forma) oferecido pelo mestre. É com esta sensação de "encontro", de "elaboração", de "abertura para novas possibilidades" que agradeço e divulgo o Curso de Mitologia Africana e Arteterapia que aconteceu nos dias 06 e 07 de novembro de 2009, quando Patrícia Pinna Bernardo dividiu conosco seu amplo conhecimento e nos encantou com a sua simplicidade, generosidade e doçura. No seu livro A Prática da Arteterapia - Correlações entre temas e recursos - Vol. III, Mitologia Africana e Arteterapia: A força dos elementos em nossa vida, Patrícia Pinna faz a associação entre mitologia grega e africana, além de relacionar os orixás com estados emocionais e questões que os clientes nos trazem ao buscar um tratamento terapêutico. Várias técnicas e materiais artísticos são propostos dentro de um estudo que associa cada recurso ao tema desenvolvido e a demanda do cliente. Agradeço mais uma vez à Patrícia Pinna e também à ASBART, especialmente Gracia Gonçalvez e Geraldo Barreto, incansáveis e dedicados. Um agradecimento também especial ao IJBA que foi parceiro nesta inicitiva de trazer a Salvador a Doutora Patrícia Pinna e que foi muito bem representado pela Coordenadora do Curso de Pós-graduação em Arteterapia Junguiana, Drª Carla Maciel. Felizes, portanto, todos que participaram deste evento!!!!" (Ana Passaro)

http://anarteterapia.blogspot.com/2009/11/mitologia-africana-e-arteterapia-foi.html




"Deus disse: vou ajeitar você a um dom.
Vou pertencer você para uma árvore.
E pertenceu-me.
Escuto o perfume dos rios.
Sei que a voz das águias tem sotaque azul.
Sei botar cílio nos silêncios.Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.
Não quero a boa razão das coisas.
Quero o feitiço das palavras."

(Manoel de Barros)

"Você entra na floresta no ponto mais escuro. onde não há uma trilha. Se existir caminho ou trilha, será o caminho ou trilha de outra pessoa; cada ser humano é um fenômeno único. A idéia é encontrar o próprio caminho da bem-aventurança."
(J. Campbell)

"Esta é a primeira função da mitologia: não a mera reconciliação entre a consciência e as precondições da sua própria existência, mas a reconciliação com a gratidão, o amor, o reconhecimento da delicadeza. Pela amargura e pela dor, a experiência primordial no âmago da vida é doce, maravilhosa. Tal visão afirmativa da vida aparece sempre nesses ritos e mitos incríveis."
(J. Campbell)

"Essas divindades nos mitos servem de exmplo, proporcionam modelos de vida, desde que se entenda sua referência de roçar o transcrndente."
"A eternidade não tem relação alguma com o tempo. O tempo é que exclui alguém da eternidade. A eternidade é o agora. É a dimensão transcendente do agora a que o mito se refere."
(J. Campbell)






“Para mim só contam os que são loucos por alguma coisa, loucos por viver, loucos por falar, loucos para serem salvos, os que querem tudo ao mesmo tempo, os que jamais bocejam, que não dizem banalidades, mas ardem, ardem, ardem como um fogo de artifício.”

(Jack Kerouac)







"Era uma vez um corredor de amores,
e uma casa ancorada no tempo da vida
para não naufragar.
Era uma vez viagens e descobrimentos.
(...)
Era uma vez - e ainda respira em mim como um cavalo alado - aquele mar."
(Lya Luft)
"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim!"
(Sophia de Mello Breyner)






30/10/2009

"Os atabaques rufam e os Deuses felizes dançam os mitos antigos"...


“Yatunde”, a mãe voltou. Mãe África, quente como a noite tropical, majestosa no seu cortejo de divindades que surgem da escuridão, forças da Natureza, água, mar, lama, relâmpago, vento e trovão, forças que nos rodeiam e nos impregnam, forças que nos envolvem e nos regeneram.
Os atabaques rufam e os Deuses, felizes, dançam, dançam os mitos antigos, dançam o fogo e sua ira, dançam a frescura das cachoeiras cristalinas, dançam a onda que quebra na praia, dançam a criação do Mundo...
E a bênção divina se espalha sobre os homens.”
(Gisele Omindarewa Cossard)


Tá chegando o meu mais novo filhote, agende-se para o lançamento em Salvador, dia 6/11 no Sol Barra Hotel, e em São Paulo, dia 5/12 num sarau em meu consultório (em breve todos receberão esse convite também!)...
AXÉ!!!
SUMÁRIO:

INTRODUÇÃO

OS MITOS NOS ENSINAM A VIVER

OS ORIXÁS

A CRIAÇÃO SEGUNDO A CULTURA IORUBÁ

EXU - A INTERMEDIAÇÃO ENTRE OS MUNDOS E O TRIDENTE

OGUM – A ABERTURA DE CAMINHOS E A ESPADA

OXOSSE: O CAÇADOR DE UMA FLECHA SÓ – O ALVO, O ARCO E A FLECHA

OSSÂIM – AS FOLHAS

IROKO – A ÁRVORE QUE LIGA A TERRA AO CÉU

OBALUAÊ – O CURADOR-FERIDO

OXUMARÊ – A SERPENTE E O ARCO-ÍRIS

XANGÔ: O REI – A JUSTIÇA E O PODER

OIÁ-IANSÃ – OS VENTOS E TEMPESTADES

OBÁ – O FEMININO FERIDO

OXUM – A ÁGUA E O ESPELHO

EUÁ – A VIRGEM E SENHORA DAS POSSIBILIDADES

LOGUNEDÉ: O JOVEM – O CAVALO MARINHO

IEMANJÁ – A MÃE, O MAR...

IBEJI: OS GÊMEOS – A CRIANÇA DIVINA

NANÃ BURUKU – A VELHA SÁBIA

OXALÁ – O GRANDE PAI E CRIADOR DOS HOMENS

A ALMA HUMANA É MULTICOLORIDA – DEUS TEM MUITAS FACES...

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

20/10/2009

O Poço Iniciático da Quinta da Regaleira - Sintra / Portugal


Se você for a Portugal, não deixe de visitar em Sintra - região que era chamada de Monte da Lua, porque abrigava sacerdotizas de Ártemis que realizavam rituais de fertilidade na lua cheia (e eu fui lá, sem saber nada disso, no dia em que entrava a lua cheia!) - a Quinta da Regaleira, lugar mágico e muito belo, construído visando constituir-se num verdadeiro "espaço sagrado", onde eram realizados rituais iniciáticos baseados na mitologia, maçonaria e nos princípios herméticos da Alquimia oculta.

O mais curioso é que eu, apaixonada como sou por todas as mitologias, desconhecia todas essas informações ao entrar no jardim da Quinta da Regaleira... imaginem então qual não foi a minha emoção ao encontrar, logo na entrada desse jarim, fontes e estátuas dedicadas a deuses grego-romanos, e em seguida esse maravilhoso Poço Iniciático!!!



Ele é uma torre invertida, esculpida na pedra, que se afunda 27 metros no interior da terra, com acesso através de uma escadria em espiral de 9 níveis, um Axis Mundi ligando a Terra ao Céu... Lá embaixo, de onde se vê o céu através da abertura do poço, está pintada no chão uma Roda, à semelhança da Roda de Cura Indígena, ou da rosácea da Maçonaria, com os 4 pontos cardeais marcados, de acordo com a bússula.



"Trata-se de uma galeria subterrânea em espiral, de 27 metros, por onde se descem nove patamares até às profundezas da terra. Este é o caminho por onde se desce à terra, ou num percurso contrário, se sobe ao céu, consoante a natureza do percurso iniciático escolhido. Os nove patamares lembram os nove círculos do Inferno, as nove secções do Purgatório e os nove céus do Paraíso, segundo a Divina Comédia de Dante. A principal ideia por detrás deste poço é a de morrer e voltar a nascer num rito de iniciação ligado à terra, uma vez que esta é o útero materno de onde provem a vida, mas também a sepultura para onde voltará.No fundo está gravada uma cruz templária sobreposta a uma estrela de oito pontas, o símbolo heráldico de Carvalho Monteiro e símbolo da harmonia e também da Cavalaria Espiritual na Maçonaria escocesa." atracoessintra.no.sapo.pt/partesquinta.htm
Consegui descobrir que existe um livro muito interessante sobre os aspectos simbólicos da Quinta da Regaleira, mas não consegui encontrar esse livro lá em Portugal, de qualquer forma deixo aqui o link que fala dele: http://www.esquilo.com/jardins_regaleira.html


19/10/2009

Santiago de Compostela... peregrinação e individuação



"Sua orientação interior existe, mas o indivíduo não a conhece. Ela só lhe é revelada ao longo do caminho, através do caminho que é o seu, cujo rumo o indivíduo também não conhece.

O caminho não se compõe de pensamentos, conceitos, teorias, nem de emoções - embora resultado de tudo isso. Engloba, antes, uma série de experimentações e de vivências onde tudo se mistura e se integra e onde a cada decisão e a cada passo, a cada configuração que se delineia na mente ou no fazer, o indivíduo, ao questionar-se, se afirma e se recolhe novamente das profundezas de seu ser. O caminho é um caminho de crescimento.

Seu caminho, cada um o terá que descobrir por si. Descobrirá, caminhando. Contudo, jamais seu caminhar será aleatório. Cada um parte de dados reais; apenas, o caminho há de lhe ensinar como os poderá colocar e com eles irá lidar.

Caminhando, saberá. Andando, o indivíduo configura o seu caminhar. Cria formas, dentro de si e em redor de si. E assim como na arte o artista se procura nas formas da imagem criada, cada indivíduo se procura nas formas do seu fazer, nas formas do seu viver.

Chegará a seu destino. Encontrando, saberá o que buscou."
(Fayga Ostrower)

"Todas as viagens possuem destinos secretos de que o viajante não se dá conta."
(Martin Buber)



(vídeo gravado em Santiago, num sábado ensolarado de setembro)

18/10/2009

A primavera é quando ninguém mais espera e desespera tudo em flor...

A primavera é quando ninguém mais espera e desespera tudo em flor... A primavera é quando ninguém acredita e ressuscita por amor... A primavera é quando do escuro da terra ascende a música da paixão... A primavera é quando do escuro da terra ascende a música do tesão...(José Miguel Wisnik)

"Qualquer amor já é um pouquinho de saúde..." e se é assim, que sejam bem-vindos os novos amores que façam a minha alma re-soar e re-florescer!!!

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

17/10/2009

Estão todos convidadíssimos!!! Vamos?!


Mitologia Africana e Arteterapia

Acontece dia 07/11/2009 das 09:00 às 18:00h no Sol Barra Hotel , um Mini-curso teórico/vivencial, coordenado pela Drª Patrícia Pinna Bernardo.
Endereço: Av.Sete de Setembro, 3577 - Porto da Barra (ref. Esquina da Lad. da Barra com a Princesa Isabel).
Inscrições até dia 04/11/2009.
Grácia (71) 9918-9532 ou Geraldo (71) 9164-3453
mito_africa@yahoo.com.br

Dia 06/11/2009 às 19:30h no Sol Barra Hotel, será realizada uma Palestra aberta ao público com o lançamento do livro Mitologia Africana e Arteterapia: a força dos elementos em nossa vida.
Uma realização da ASBART - Associação Baiana de Arteterapia e IJBA - Instituto Junguiano da Bahia.

23/09/2009

Dulce Pontes canta como ninguém a alma de Portugal!!!



Dulce Pontes - O Primeiro Canto

O tambor a tocar sem parar, um lugar onde a gente se entrega, o suor do teu corpo a lavar a terra. O tambor a tocar sem parar, o batuque que o ar reverbera, o suor do teu rosto a lavrar a terra.

Logo de manhãzinha, subindo a ladeira já, já vai a caminho a Maria-Faia. Azinheiras de ardente paixão soltam folhas, suaves, na calma do teu fogo brilhando a escrever na alma. Estas fontes da nossa utopia são sementes, são rostos sem véus, o teu sonho profundo a espreitar dos céus!

Logo de manhãzinha, subindo a ladeira já, já vai a caminho a Maria-Faia, desenhando o peito moreno um raminho de hortelã, na frescura dos passos a eterna paz do Poeta. Uma pena ilumina o viver de outras penas de esperança perdida, o teu rosto sereno a cantar a vida. Mil promessas de amor verdadeiro vão bordando o teu manto guerreiro, hoje e sempre serás o primeiro canto!

Ai, o meu amor era um pastor, o meu amor, ai, ninguém lhe conheceu a dor. Ai, o meu amor era um pastor Lusitano, ai, que mais ninguém lhe faça dano. Ai, o meu amor era um pastor verdadeiro, ai, o meu amor foi o primeiro.

Estas fontes da nossa utopia são sementes, são rostos sem véus, o teu sonho profundo a espreitar dos céus! Mil promessas de amor verdadeiro vão bordando o teu manto guerreiro, hoje e sempre serás o primeiro canto!

(dedicado a José Afonso) Música: Dulce Pontes, Leonardo Amuedo / Letra: João Mendonça, Dulce Pontes, António Pinheiro da Silva Dulce Pontes - O Primeiro Canto Album : Primeiro Canto (1999)

18/09/2009

Tão grande, o mundo!






"Tão grande, o mundo!
Tão curta, a vida!
Os países tão distantes!
E alma.
E adeuses."

"Esta sou eu - a inúmera.
Que tem de ser pagã como as árvores
e, como um druida, mística.
Com a vocação de mar, e com seus símbolos.
Com o entendimento tácito, instintivo,
das raízes, das nuvens,
dos bichos e dos arroios caminheiros.
Andam arados, longe, em minha alma.
Andam os grandes navios obstinados."

(Cecília Meireles)



(fotos tiradas na casa de Pablo Neruda em Islas Negras - Chile)




30/07/2009

TUM... tum tum... bate coração! ou: o canto dos beija-flores!

No outro dia entraram 2 beija-flores na minha sacada, cantando e fazendo folia, numa alegre celebração... 2 semanas depois, dando uma aula na Pós em Arteterapia de Ribeirão Preto, novamente 2 beija-flores fizeram cantoria, ao redor de uma árvore florida, e fui ao seu encontro, encantada e atraída pelo seu canto!

Vocês já repararam que o canto do beija-flor é quase um tambor entoando mantras que parecem jorrar de um grande coração? Foi bem isso que Rodrigo captou quando pintou para mim esse tambor (pedi que colocasse 2 beija-flores nele, já que eles tinham aparecido para mim recentemente), que recebi dele no workshop que dei sobre Mitologia africana, máscaras e Arteterapia. Nesse workshop os participantes pintaram máscaras, e eu terminei de pintar uma máscara na qual havia começado a trabalhar junto com os participantes na última aula que dei do curso de Mitologia africana e Arteterapia, no meu consultório, em 2008. E qual não foi a minha surpresa quando, ao colocar a máscara junto ao tambor, percebi que havia uma enorme congruência entre as 2 pinturas, e que eram as mesmas cores -verde e rosa - que estavam tanto na máscara quanto no tambor, e que são as cores do chakra do coração (e Rodrigo fez um coração bem no meio desse tambor, da mesma forma que o timo fica bem no meio do peito)!

Nessa segunda-feira, na aula de Yoga, a minha professora observou que a glândula timo, que fica na região do chakra do coração, e que nos traz sentimentos de profunda alegria e contentamento, pode ser ativada quando batemos com as pontas dos dedos, nessa região, num: TUM... tum tum (como as batidas do coração!)... Essa glândula fica bem no meio do peito, atrás do osso que a gente toca quando diz: "eu", e que em grego - thýmos - significa energia vital. Essa glândula aumenta de tamanho quando estamos contentes, e encolhe quando estamos estressados ou doentes. E a sua ativação aumenta a nossa imunidade (tão preciosa em tempos de gripes e todo tipo de contaminações físicas e mentais a que estamos expostos hoje em dia...) - diante de micróbios ou toxinas, essa glândula reage na hora produzindo células de defesa.

Para ativar o timo, deve-se fechar uma das mãos e dar leves pancadas com os nós dos dedos no centro do peito, no ritmo: uma pancada forte seguida de 2, mais rápidas, fracas... TUM... tum tum... TUM... tum tum...

Com observou a jornalista Sonia Hirsch:

"O detalhe curioso é que o timo fica encostadinho no coração, que acaba ganhando todos os créditos em relação a sentimentos, emoções, decisões, jeito de falar, jeito de escutar, estado de espírito..."Fiquei de coração apertadinho", por exemplo, revela uma situação real do timo, que só por reflexo envolve o coração. O próprio chacra cardíaco, fonte energética de união e compaixão, tem mais a ver com o timo do que com o coração- e é nesse chacra que, segundo os ensinamentos budistas, se dá a passagem do estágio animal para o estágio humano.

"Lindo!", você pode estar pensando, "mas e daí?".

Daí que, se você quiser, pode exercitar o timo para aumentar sua produção de bem estar e felicidade.

Como? Pela manhã, ao levantar, ou à noite, antes de dormir:

a) Fique de pé, os joelhos levemente dobrados. A distância entre os pés deve ser a mesma dos ombros. Ponha o peso do corpo sobre os dedos e não sobre o calcanhar, e mantenha toda a musculatura bem relaxada.

b) Feche qualquer uma das mãos e comece a dar pancadinhas contínuas com os nós dos dedos no centro do peito, marcando o rítimo assim: uma forte e duas fracas.Continue entre três e cinco minutos, respirando calmamente, enquanto observa a vibração produzida em toda a região torácica.

O exercício estará atraindo sangue e energia para o timo, fazendo-o crescer em vitalidade e beneficiando também pulmões, coração, brônquios e garganta. Ou seja, enchendo o peito de algo que já era seu e só estava esperando um olhar de reconhecimento para se transformar em coragem, calma, nutrição emocional, abraço.Ótimo, íntimo, Cheio de estímulo. Bendito Timo."

Jung explica, e a nossa alma agradece poder ser ecoada pelo reverberar do tecido cósmico que nos conecta sincronicamente ao coração do Universo - e aí a tal gripe é que se cuide!!! Pois como a amorosa e sábia Lua disse para uma estrelinha que não queria sair de casa durante a noite e ficava deitada em sua cama vendo televisão, com medo do escuro (num livro infantil: Medo do escuro - qualquer semelhança com pessoas escondidas dentro de suas casas, assistindo aos noticiários, e aulas canceladas por conta do medo de contágio não é mera coincidência...): "Viu? quanto mais você brilha, mais o escuro vai para longe de você... o escuro é que foge da luz!"...

Não esquecendo-nos, é claro, do que diziam os alquimistas: "quando vires o negro, alegra-te, é o início de tua obra", ou dizendo em outras palavras: nesse momento em que a escuridão da alma em seu não reconhecimento pela consciência coletiva (que esqueceu-se de honrar o Grande Mistério e a força da Vida, do Feminino ancestral) se presentifica de maneira trágica no mundo exterior, nos ameaçando com suas garras invisíveis, nunca foi tão urgente tomar consciência da centelha divina que nos faz humanos, "divinamente humanos em nossa destinação de ser" (como disse Marcos Ferreira Santos), e acender-se (trazendo a nossa estrela para passear pelas noites da alma, iluminando-a a partir de dentro), tecendo um sol exalando manhãs que descortinarão assim novos horizontes existenciais, para que das sombras contaminadas pela rotina exaustante de exterioridades sem recônditos ou abrigos onde a nossa alma possa respirar e reencontrar-se consigo mesma e sua beleza, territórios que ela possa habitar, possa brotar, como um lótus, uma consciência ampliada de que somos mais - infinitamente mais!!! - do que supõe a nossa ciência adoecida, herdeira da inquisição... Pois como disse Jung no filme Matter of Heart: “A regra psicológica diz que quando uma situação interna não é conscientizada, ela acontece fora, como destino”

O escuro foge da luz, e ao mesmo tempo, a luz nasce do escuro (é na noite que a estrela encontra-se com a sua luz!) - eis o grande enigma a ser decifrado pela alma humana em seu processo de alquimia interior, de individuação... e como disse Oswaldo Montenegro em seu poema Metade: "que a Arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba"...

“Fixei meu coração num ponto e o beija-flor dentro do
guerreiro que há em mim abriu esse coração. Que o seu
coração possa se abrir e que nada lhe pareça impossível.
Há um tempo para ler livros, para ser desafiado por
novos “insights”e histórias da alma, e há um tempo para
abandonar os livros. A vida está no tempo certo ou tempo
sincrônico. No momento certo, quando você estiver
preparado para receber o elixir, que um beija-flor possa
entrar em sua casa através de uma janela ou porta e que
você possa ultrapassar o véu para um outro mundo de
quadros tecidos.” (Foster Perry)

24/06/2009

MInha programação de cursos julho e seg semestre 2009

MINI CURSOS JULHO 2009



A PSICOLOGIA DE C.G.JUNG:
EGO, ARQUÉTIPO E INDIVIDUAÇÃO

(8 hs/a)

Como a teoria junguiana é bastante complexa e ampla, nesse mini curso serão abordados os conceitos fundamentais da Psicologia Analítica de C. G. Jung a partir da apresentação e discussão de trechos do filme: Matter of Heart, em que o próprio Jung, seus colaboradores (como Marie-Louise von Franz e Aniela Jaffé, entre outros), e alguns de seus pacientes fazem colocações importantes sobre a teoria e o método junguiano e suas implicações.
Ao longo do curso, serão feitas também correlações entre os conceitos junguianos e como trabalhá-los através de recursos arteterapêuticos.

Quando:
TURMA I: 9 de julho, das 9 às 18 hs

TURMA II:16 e 17 de julho, das 18 às 22hs

Investimento:170,00
Local: Rua Ministro de Godói, 1267, Perdizes - SP
Tel: 3862-2411
Informações: pelo e-mail: pat.pinna@uol.com.br

Inscrições: preencha a ficha de inscrição (no final dessa postagem) e retorne pelo e-mail acima para garantir a sua vaga!

MITOLOGIA AFRICANA, MÁSCARAS E ARTETERAPIA
(8 hs/a)

“O Orixá participa da natureza, interna e externa ao homem, uma vez que o ser humano faz parte do contínuo da natureza... A natureza é a morada dos deuses... Se a natureza é um lugar sagrado, tudo passa a ser sagrado, uma vez que tudo é natureza. (...) Os Orixás não estão no barracão, eles estão na natureza e na psique ... e onde houver natureza e psique, aí eles estarão.” (Zacharias)

Nesse curso abordaremos a interpretação simbólica da mitologia dos orixás, correlacionando-os com forças arquetípicas atuantes na psique do ser humano, e trabalhando sobre a mitologia pessoal através da confecção de máscaras.
Associando a utilização de recursos expressivos à narrativa de mitos podemos promover a elaboração de questões existenciais eluciadadas pelas mitologias dos diferentes povos, convidando as forças arquetípicas representadas pelos seus personagens a participar da nossa vida, enriquecendo-a.

Quando: 18 de julho, sábado, das 9 às 18hs

Investimento:170,00
Local: Rua Ministro de Godói, 1267, Perdizes - SP
Tel: 3862-2411
Informações: pelo e-mail: pat.pinna@uol.com.br
Inscrições: preencha a ficha de inscrição (no final dessa postagem) e retorne pelo e-mail acima para garantir a sua vaga!


PROGRAMAÇÃO SEG SEMESTRE 2009:


PSICOLOGIA JUNGUIANA E ARTETERAPIA:
SONHOS, CONTOS DE FADAS E INDIVIDUAÇÃO

Nesse curso, que é vivencial e teórico, trabalharemos os principais conceitos da teoria junguiana, fundamentando a utilização de recursos arteterapêuticos no trabalho com sonhos e contos de fadas, promovendo com isso o processo de individuação.
A partir da amplificação simbólica de contos e mitos podemos ter uma compreensão mais ampla de nossa jornada rumo à individuação, e os nossos sonhos nos revelam em que ponto estamos dessa jornada (também representada no simbolismo das cartas do tarô) e os desafios que estão sendo propostos à nossa consciência para que ela se desenvolva de forma integrada, equilibrada e saudável.

Quando: agosto a dezembro 2009
TURMA I: segundas-feiras (quinzenalmente, 2 aulas por mês, das 9:30 às 12:30 hs)

TURMA II: quintas-feiras (quinzenalmente, 2 aulas por mês), das 13:30 às 16:30 hs

Investimento: 5 parcelas mensais de 140,00

Local: Rua Ministro de Godói, 1267, Perdizes - SP
Tel: 3862-2411
Informações: pelo e-mail: pat.pinna@uol.com.br

Inscrições: preencha a ficha de inscrição (no final dessa postagem) e retorne pelo e-mail acima para garantir a sua vaga!

Coordenação dos cursos:
Patrícia Pinna Bernardo
http://www.patriciapinna.psc.br/

Autora da coleção: A Prática da Arteterapia: correlações entre temas e recursos Vol I: Temas centrais em Arteterapia e Vol II: Mitologia Indígena e Arteterapia: a Arte de Trilhar a Roda da Vida (disponíveis para a venda, por enquanto, somente através do e-mail: pat.pinna@uol.com.br)

Psicóloga (USP) e Artista Plástica (FAAP), Pós-doutora em Mitologia Criativa e Arteterapia (FEUSP), Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), Mestre em Psicologia Clínica (PUC-SP), arterapeuta e pesicoterapeuta, atuando há 26 anos com crianças, adolescentes e adultos em consultório, escolas e instituições. Professora Universitária em cursos de graduação e Pós há 13 anos (Psicologia, Pedagogia, Artes Plásticas, Musicoterapia, Arte-educação, Arteterapia). Coordenadora e Professora da Pós-graduação em Arteterapia da UNIP. Supervisora de trabalhos clínicos e institucionais, e Coordenadora de Workshops e cursos de Arteterapia, Mitologia e Psicologia junguiana.
Membro associada da AATESP: 056/0905 / CRP: 06/16725

FICHA DE INSCRIÇÃO

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FORMAÇÃO:
ATUAÇÃO PROFISSIONAL ATUAL:
ASSINALE ABAIXO O(S) GRUPO(S) QUE FREQUENTARÁ:

( ) A Psicologia de C. G. Jung - Turma I
( ) A Psicologia de C. G. Jung - Turma II
( ) Mitologia Africana, Máscaras e Arteterapia
( ) Psicologia Junguiana e Arteterapia - Turma I (ago a dez)
( ) Psicologia Junguiana e Arteterapia- Turma II (ago a dez)

16/06/2009

Reflexões sobre Arte (escritas na ocasião do meu mestrado, nos idos de 1990...)



“... Coincidindo o processo de desdobramento da personalidade com o processo de aculturamento, o desenvolvimento corresponderia às necessidades como ser social de, junto à identidade pessoal, adquirir uma identidade cultural (...) no ser, no simples ser - no viver e trabalhar e realizar conteúdos de vida - se encontraria verdadeiramente a fonte da criação, fonte de infinitas e ainda nem sondadas possibilidades humanas no homem.”
(Fayga Ostrower)
Assim como o espaço potencial, na concepção winnicottiana, situa-se numa região fronteiriça e porosa entre o mundo interno e o externo, possibilitando que as experiências se tornem significativas, a atividade artística, ligando a pessoa à cultura, instaura um diálogo fluente entre ambas.
A inserção da pessoa na cultura paradoxalmente só é satisfatória na medida em que sua singularidade e seu estilo de ser, uma vez estabelecidos, puderem conviver em diversos níveis de sintonia com o campo social, o que gera sempre novas questões e deflagra processos de transformação tanto no ser quanto na realidade.
Do mesmo modo que, no jogo, o clima de “faz-de-conta” é necessário ao pleno desenrolar da atividade lúdica, na qual os brinquedos passam a desempenhar funções condizentes com as necessidades psíquicas da criança, os temas elegidos pelo artista durante a execução de sua obra não se resumem a uma reprodução ou cópia do real (mesmo nas obras mais “realistas”), pois eles são apenas pretextos para que determinadas questões estéticas, que estão indissoluvelmente ligadas a questões existenciais, possam ser trabalhadas, dando voz e mobilidade a conteúdos de vida.
O fazer artístico pulsa entre o compartilhar dos valores e paradigmas constituídos e reconhecidos coletivamente e a afirmação do sujeito em sua particularidade de visão e concepções, atribuindo novos significados à realidade e, portanto, também interferindo no mundo em que se vive.

Há um certo patamar de tensão necessário ao exercício da criatividade, que contrapõe e religa, sempre num nível mais abrangente e de maior complexidade, o novo ao já vivido e constituído.
A arte, por um lado, sempre espelhou a visão de homem e de mundo constelada em determinado momento histórico, mas por outro prenunciou mudanças, apontou caminhos e deu forma sensível a anseios, necessidades e possibilidades existenciais ainda não reconhecidas e não atualizadas e contextualizadas.




“A obra de arte é a objetivação sensível ou imaginária de uma nova concepção, de um sentimento que passa, assim, pela primeira vez, a ser entendido pelos homens, enriquecendo-lhes as vivências.”

(Mário Pedrosa)

Tanto na arte abstrata quanto na figurativa, há sempre uma afirmação, interpretação e recriação do homem em sua intrínseca relação consigo próprio, com o outro, com o meio e com o cosmo.
Talvez a arte comece a se tornar irreconhecível para o homem que não encontra ressonância na articulação social da qual participa, sentindo-se mais como uma presa na teia cultural do que como um dos tecelões de sua trama. Diante desse contexto, tende a buscar nas manifestações artísticas ecos de seu pequeno cotidiano ou refúgios que o apartem dele, sendo ambas formas de se afastar de seu nicho existencial, da busca de nexo e sentido para o ser, como se o existir já lhe exaurisse. Mas como disse Pedrosa,
“a obra de arte não pode misturar-se ao cotidiano da vida, equiparada a uma obrigação social que se cumpre, uma farra que se faça, uma violência que se comete, uma frustração que se sentiu.
Por sua própria natureza, ela tem de se afastar do chão onde fazemos nossas andanças.”
Esse afastamento corresponde ao que Pedrosa chamou de “distância psíquica ideal” entre o autor ou espectador e a obra, para que seja possível a fruição estética, a apreensão do fluxo da energia vital por entre as formas, e disso decorre a aproximação das forças criativas no bojo do próprio homem, de seu potencial de vir-a-ser.


A arte moderna, ao deixar de retratar faces “reconhecíveis” do real, entranhou-se pelos intermeios de suas forças constitutivas, colocando o homem frente a frente com sua própria condição existencial, com o seu sentido de humanidade. E isso por uma absoluta necessidade e contingência do mundo atual, em que não se encontram valores e significados coletivos que norteiem e referenciem as experiências humanas. Além disso, a concepção de mundo instaurada pela modernidade revelou que vários processos estão ocorrendo ao mesmo tempo, relativizando e redimensionando as relações entre o homem e seu universo, um universo em contínuo movimento e multifacetado. Diante da multiplicidade de pontos de vista, da ausência de um mínimo de consenso sobre o que é certo ou errado, bom ou mal, desejável ou execrável, diante da contínua edificação e derrocada de mitos, só restou ao homem a possibilidade de busca de sentidos para o viver no interior do próprio ser, no que o diferencia do não-ser, para daí poder ressurgir como pessoa.


“Assim, a temática principal da arte contemporânea gira em torno de questões íntimas, questões existenciais, num amplo leque de sentimentos que vão desde a angústia e o medo, à coragem face ao medo, à resignação, à esperança e, eventualmente, a novos significados humanos encontrados no próprio viver.
A expressão de tais conteúdos não tem que passar obrigatoriamente pela figuração (onde os sentimentos transparecem na representação, e interpretação, de determinados episódios ou situações envolvendo objetos ou figuras). Ao contrário, o sentido fundamental dessas cogitações íntimas se transmitirá tanto mais claramente quanto menos as formas forem circunscritas a acontecimentos do mundo externo ou a simbolismos já convencionados (religiosos ou sociais). A arte abstrata de hoje (e, no fundo, a estrutura formal abstrata de qualquer obra figurativa) expressa estados gerais de ser, estados de consciência."
(Fayga Ostrower)


A arte respira e se torna viva e vivificante na medida em que testemunha e propicia a relação significativa entre a pessoa e a coletividade, favorecendo assim o exercício da alteridade e a ampliação da consciência de si próprio e do mundo. Ela necessita que as polaridades eu-outro sejam inseridas e integradas de maneira significativa e dinâmica no contexto cultural.
O indivíduo que, como disse Ostrower, pôde crescer em seu tempo vital
e ... amadurecer
, integrando-se como ser individual e como ser cultural, podendo exercer o seu “estilo de ser”, vivencia como que um renascimento a partir do útero cultural, atingindo um novo ponto de partida em seu crescimento psíquico, apropriando-se de seu potencial criador e colocando-se como co-autor do enredo de sua vida e de sua época.


“Quando uma pessoa é aberta à vida, sem preconceitos, e receptiva às novas experiências, quando ela é capaz de diferenciar-se e reintegrar-se, de amadurecer e crescer espiritualmente, ela terá condições para criar. Cada um poderá então selecionar intuitivamente, livremente, entre as várias áreas de interesse, aquelas que correspondam às suas reais necessidades e potencialidades, e se sentirá motivado a buscar na linguagem artística, também intuitivamente, certas ordenações que expressem seus sentimentos. Por sua vez, as ordenações manifestas nas formas criadas haverão de revelar as ordenações íntimas da personalidade, em visões talvez desconhecidas antes de terem sido articuladas através dos processos de criação. Deste modo, o fazer criativo sempre se desdobra numa simultânea exteriorização e interiorização da experiência de vida, numa compreensão maior de si próprio e numa constante abertura de novas perspectivas do ser. Reflete o sentido do desenvolvimento da personalidade como um todo, da pessoa vivendo mais plenamente sua vida. É o que constitui essencialmente a motivação criativa de alguém. Este incentivo ao mesmo tempo se renova e aponta certos rumos que se abrem à imaginação"
(Fayga Ostrower)

20/05/2009

Mitologia Indígena e Arteterapia: mais um filhote!!!

"...Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir..."

(Fernando Pessoa / Alberto Caeiro)

Guardei na memória esse trecho de um poema de Fernando Pessoa desde adolescente, e agora ele me faz mais sentido do que nunca...
Escrever sempre foi uma das minhas paixões, e é um imenso prazer poder aliá-la a outra, que nutre a minha alma e ancora os meus passos em minha jornada pessoal: a minha paixão e profunda gratidão à sabedoria ancestral, acessada através da via simbólica, e um dos caminhos para esse acesso é através da Mitologia, e também da Arte, que quando colocada a serviço da Vida se traduz na prática da Arteterapia, título portanto dessa coleção, que acaba de ganhar o segundo volume: "Mitologia Indígena e Arteterapia: a Arte de Trilhar a Roda da Vida"



"Temos muito a aprender com a visão de mundo com que nos brindam os povos indígenas de diversas etnias, mas para isso precisamos nos abrir para novas perspectivas que contemplem e viabilizem a semeadura de sementes de amanhãs condizentes com uma cultura pela paz, guiada pelo respeito a todas as formas de vida, onde a dignidade seja condição de uma vida plena de significado, brilho e amor solidário, trazendo abundância por favorecer uma troca mutuamente fertilizadora entre o eu, o seu semelhante e o entorno (o que inclui tudo o que encontramos na Terra e os astros que nos iluminam a partir do Céu), harmonizando os aspectos materiais e espirituais de nossa constituição como seres humanos, tornando a nossa existência significativa e coroada pela dignidade.
É a partir desse sonho – de uma cultura pela paz, inclusiva e multi-colorida (multi-étnica) – que parto ao propor, criar e recriar trabalhos em que a Arteterapia e as mitologias de diversos povos se entrelacem respeitosa e amorosamente na tessitura de um cesto que possa acolher e amalgamar novos horizontes existenciais, repletos de oportunidade para o nosso crescimento como indivíduo e como humanidade (tanto material quanto espiritual). Esse é um trabalho que busca empreender um diálogo criativo e produtivo da consciência com a dimensão arquetípica ancestral em que se assentam as diversas mitologias, possibilitando assim as sínteses, conjugando conhecimento e auto-conhecimento num trabalho de Ecologia Profunda e de uma Ecopedagogia que integre a dimensão do prazer e a doçura ao ato de entrelaçar ensinar-aprender-crescer-ser, curando-se nesse processo as próprias feridas, bem como a ferida aberta na alma do mundo dilacerado pela separatividade, que reconheça e desenvolva o nosso potencial criador e de co-criar a realidade, enriquecendo de muitas formas a nossa realidade compartilhada.
Hollis (2005) observa que as nossas imagens internas “surgem do mistério que é investido não só o cosmo, mas em cada um de nós”, nos conduzindo a um acesso pessoal e direto aos mistérios, o que “nos deixa menos passivos na presença dos deuses. Nós os convidamos, embora convidados ou não eles estejam presentes. Se não forem convidados, eles virão como patologias” (2005, p. 167). Daí provém o efeito terapêutico de trabalhos que promovam o contato com as forças arquetípicas que nos habitam e que encontramos simbolizadas nas diversas mitologias como deuses e deusas."

(Trecho do capítulo final desse livro, pág. 213-214)

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
Os Rituais Ancestrais e o Homem Atual

A ABERTURA A NOVAS PERSPECTIVAS EXISTENCIAIS: INICIAÇÃO, TRANSFORMAÇÃO E RENASCIMENTO
O Chamado
A Travessia
A Iniciação
O Renascimento

A ARTE DE TRILHAR, COM CONSCIÊNCIA E SABEDORIA, OS CICLOS QUE ATRAVESSAMOS AO LONGO DA VIDA
As aberturas e os fechamentos
Acessando e ativando recursos internos

A DANÇA DAS POLARIDADES E OS 4 ELEMENTOS NA RODA DA DOCE MEDICINA
Sol e Lua: A Águia e o Jaguar
A Terra
O Fogo
A Água
O Ar
A Conjunção de Opostos
Lançando ao Universo Sinais de Fumaça...

RETRAMANDO O EU E O OUTRO NA TEIA DA VIDA CÓSMICA
O “Espaço Sagrado”: a Cuia, o Vaso, o Cesto
O Eu, o Outro e a Realidade Multifacetada
A Árvore Psíquica e a individuação

PLANTANDO SONHOS, COLHENDO HORIZONTES