"Que te devolvam a alma homem do nosso tempo. Pede isso a Deus ou às coisas que acreditas: à terra, às águas, à noite desmedida. Uiva se quiseres, ao teu próprio ventre se é ele quem comanda a tua vida, não importa... Pede à mulher, àquela que foi noiva, à que se fez amiga. Abre a tua boca, ulula, pede à chuva. Ruge como se tivesses no peito uma enorme ferida, escancara a tua boca, regouga: A ALMA. A ALMA DE VOLTA." (Hilda Hilst)



07/06/2012

MITOS, CONTOS DE FADAS, COLAGEM E ARTETERAPIA

Agendem-se para o imperdível workshop que eu coordenarei junto com o meu queridíssimo e talentoso amigo Silvio Alvarez:

30 de junho, sábado, das 10 às 18hs

MITOS, CONTOS DE FADAS, COLAGEM E ARTETERAPIA
Remexendo no baú de histórias e recontando a sua lenda pessoal
“Sua mente inconsciente é seu oráculo, seu templo, seu jardim do Éden, seu dicionário de símbolos, seu mapa, seu oceano profundo, sua bússola, sua escola de medicina. Tudo o que você precisa saber sobre si mesmo está dentro desse espaço infinito” (Izabel Telles)

Nesse workshop, teórico e vivencial, Silvio Alvarez, artista plástico, apresentará a técnica da colagem, com sua história e características, mostrando a riqueza desse trabalho e aplicações possíveis. Patrícia Pinna, psicóloga e arteterapeuta, explanará sobre a colagem na Arteterapia, destacando alguns mitos e contos de fadas especialmente afinados com esse recurso expressivo.  
Quando: 30 de junho, sábado, das 10 às 18:00hs (incluindo intervalo para almoço)
 Onde: Rua Ministro de Godói, 1267, Perdizes, SP Tel:   (11) 3862-2411
 Investimento: 260,00 (à vista, com desconto) ou 2 parcelas mensais de 140,00
Inscrições: pelo e-mail pat.pinna@uol.com.br
VAGAS LIMITADAS!

Workshop ministrado por:

Patrícia Pinna Bernardo
http://www.patriciapinna.psc.br/
Silvio Alvarez
http://www.silvioalvarez.com.br/
http://silvioalvarez.blogspot.com/


SEJA BEM-VINDO!

10/05/2012

WORKSHOP: MÁSCARAS E MASQUIAGEM EXPRESSIVA


"...uma mitologia não é uma ideologia. Não é algo projetado do cérebro, mas sim sentido com o coração, pelo reconhecimento de identidades por trás, ou dentro, das aparências da natureza, percebendo com amor um"tu" onde antes teria havido, sem isso, apenas um pronome neutro" (Campbell)

Nesse workshop trabalharemos o tema das máscaras e masquiagem nos antigos rituais de iniciação e cura, no teatro e na Arteterapia, desembocando no teatro arquetípico em que entramos em contato com aspectos de nosso mito pessoal.

Temas abordados:
Persona e sombra; a máscara ritual e pintura facial nas diversas tradições ancestrais; a máscara no teatro ocidental e oriental; clown; máscaras pessoais e teatro arquetípico.

Quando
: 2 de junho, sábado, das 10 às 18:00hs (incluindo intervalo para almoço)
 Onde: Rua Ministro de Godói, 1267, Perdizes, SP Tel: (11) 3862-2411
 Investimento: 260,00 (à vista, com desconto) ou 2 parcelas mensais de 140,00
Inscrições: pelo e-mail pat.pinna@uol.com.br
Vagas limitadas!
 Workshop ministrado por: 

Patrícia Pinna Bernardo (Psicóloga/Arteterapeuta)
 Luciana Birindelli (Direção de Arte em teatro/Atriz)

09/05/2012

Curso: CONTOS DE FADAS EM ARTETERAPIA

Eu cresci acompanhada desses maravilhosos personagens que nos encantam e emocionam, não importa que idade tenhamos... Os contos de fadas e mitos, associados a recursos arteterapêuticos, sempre estiveram presentes na minha prática clínica, no meu trabalho em escolas e instituições e nas minhas aulas. Isso porque, assim como a arte, os mitos e contos de fadas podem ser vistos como formas de apreensão, organização e representação de vivências, propiciando a amplificação de temas importantes para o desenvolvimento individual e coletivo. E depois de alguns anos sem dar esse curso, mais uma vez os convido para um curso onde estaremos em contato com esse grande e rico tesouro da humanidade...

CONTOS DE FADAS EM ARTETERAPIA
Interpretação simbólica, aspectos terapêuticos e indicações


“Subir e descer do pé-de-feijão, percorrer o arco-íris, navegar pelo mar e chegar à terra firme... são formas de relacionar realidade e fantasia na constituição de um mundo onde os sonhos também são alimento e os feijões também podem conter alguma parcela de magia. Isso desperta em nós a consciência de que os sonhos muitas vezes podem ser concretizados e a realidade sempre pode ser transformada em algum nível, o que resgata a própria dignidade e autonomia diante das circunstâncias originais da vida de cada um.”
(Patrícia Pinna Bernardo - “Do Caldeirão de Sementes à Harpa Encantada”)
Os contos constituem-se em recursos que podem ajudar-nos a compreender a complexidade da alma humana, pois tratam de questões existenciais com as quais convivemos no nosso dia a dia. Nesse curso, que é vivencial e teórico, serão fornecidas as bases para a compreensão e utilização dos contos de fadas dentro do trabalho terapêutico, pedagógico e preventivo, amplificando o seu conteúdo simbólico e elucidando a sua relação com recursos arteterapêuticos pertinentes às questões por eles abordadas.

Temas enfocados:
- “Era uma vez...” – a dimensão atemporal do inconsciente e a estruturação da consciência
- Contos de fadas, ciclos de desenvolvimento e atividades expressivas correlacionadas
- Personagens, imagens arquetípicas e recursos arteterapêuticos
- Processo de individuação, contos de fadas e Arteterapia
Quando: Segundas-feiras (quinzenalmente), das 19 às 21:30hs
Onde: Rua Ministro de Godói, 1267, Perdizes, SP Tel: 3862-2411
Início: 21 de maio (ao todo serão 4 aulas: 21/05, 4 e 18/06, 2/7)
Investimento: 2 parcelas mensais de 194,00
Inscrições: pelo e-mail pat.pinna@uol.com.br (Vagas limitadas!)
Curso ministrado por:
Patrícia Pinna Bernardo (Psicóloga/Arteterapeuta)
Oneide Depret (Psicóloga/Arteterapeuta)
Patrícia Pinna Bernardo - Coordenadora da Pós-graduação em Arteterapia e da Pós-graduação em Arteterapia Aplicada: saúde, artes, educação e organizações (UNIP). Psicóloga (USP) e Artista Plástica (FAAP), Pós-doutora em Mitologia Criativa e Arteterapia (FEUSP), Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), Mestre em Psicologia Clínica (PUC-SP), Arterapeuta e psicoterapeuta, atuando há 28 anos com crianças, adolescentes e adultos em consultório, escolas e instituições. Professora Universitária em cursos de graduação e Pós há 16 anos (Psicologia, Pedagogia, Artes Plásticas, Musicoterapia, Arte-educação, Arteterapia). Supervisora de trabalhos clínicos e institucionais.
Oneide Depret - Psicóloga (USP), Arteterapeuta (UNIP), Mestranda em Ciências da Saúde (UNIFESP). Professora Universitária em cursos de especialização em Arte-Educação e Arteterapia. Professora de Mitologia Criativa e Supervisora de trabalhos clínicos e institucionais. Psicoterapeuta e arteterapeuta com foco no trabalho individual e em grupos voltados para o autoconhecimento.

Até lá!!!

05/04/2012

"Raízes" - ou como nasceu o primeiro poeta, segundo Mia Couto

“é preciso caminhar na escuridão e se encontrar com o coração do homem, com os olhos da mulher, com os desconhecidos das ruas, dos que a certa hora crepuscular ou em plenanoite estrelada precisam nem que seja de um único verso... Esse encontro com o imprevisto vale pelo tanto que a gente andou, por tudo que a gente leu e aprendeu... É preciso perder-se entre os que não conhecemos para que subitamente recolham o que é nosso da rua, da areia, das folhas caídas mil anos no mesmo bosque” (NERUDA)


"Uma vez um homem deitou-se, todo, em cima da terra. A areia servia-lhe de almofada. Dormiu toda manhã e quando se tentou levantar não conseguiu. Queria mexer a cabeça: não foi capaz. Chamou pela mulher e lhe pediu ajuda.
- Veja o que me está a prender a cabeça.

A mulher espreitou por baixo da nuca do marido, puxou-lhe levemente pela testa. Em vão. O homem não desgrudava do chão.
- Então, mulher? Estou amarrado?
- Não, marido, você criou raízes.
- Raízes?

Já se juntavam as vizinhanças. E cada um puxava sentença. O homem, aborrecido, ordenou à esposa:
- Corta!
- Corta, o quê?
- Corta essa merda das raízes ou sei lá o que é...
A esposa puxou da faca e lançou o primeiro golpe. Mas logo parou.
- Dói-lhe?
- Quase nem. Porquê me pergunta?
- É porque está sair sangue.

Já ela, desistida, arruma o facão. Ele, esgotado, pediu que alguém o destrocasse dali. Me ajudem, suplicou. Juntaram uns tantos, gentes da terra. Aquilo era assunto de camponês. Começaram a escavar o chão, em volta. Mas as raízes que saíam da cabeça desciam mais fundo que se podia imaginar. Covaram o tamanho de um homem e elas continuavam para o fundo. Escavaram mais que as fundações de uma montanha e não se vislumbrava o fim das radiculações.

- Me tirem daqui, gemia o homem, já noite.

Revesaram-se os homens, cada um com sua pá mais uma enxada. Retiraram toneladas de chão, vazaram a fundura de um buraco que nunca ninguém vira. E laboprou-se semanas e meses. Mas as raízes não só não se extinguiam como se ramificavam redes e novas radículas. Até que já um alguém, sabedor de planetas, disse:
- As raízes dessa cabeça dão a volta ao mundo.

E desistiram. Um por um se retiraram. A mulher, dia seguinte, chamou os sábios. Que iria ela fazer para desprender o homem da terra inteira? Pode-se tirar toda a terra, sacudir as remanescentes areias, disse um. Mas um outro argumentou: assim teríamos que transmudar o planeta todo inteiro, acumular um monte de terra do tamanho da terra. E o enraizado, o que que se faria dele e de todas suas raízes? Até que falou o mais velho e disse:

- A cabeça dele tem que ser transferida.

E para onde, santos deuses? Se entreolharam todos, aguardando pelo parecer do mais velho.

- Vamos plantar a cabeça dele lá!

E apontou para cima, para as celestiais alturas. Os outros devolveram a estranheza. Que queria o velho dizer?

- Lá, na lua.

E foi assim que, por estreia, um homem passou a andar com a cabeça na lua. nesse dia nasceu o primeiro poeta."
(Conto de Mia Couto, no livro: Contos do Nascer da Terra)

02/02/2012

Curso: Tarô, Psicologia Junguiana e Arteterapia


TARÔ, PSICOLOGIA JUNGUIANA E ARTETERAPIA:
A jornada criativa da autodescoberta




Uma viagem pelas cartas do Tarô (...) é uma viagem às nossas próprias profundezas. O que quer que encontremos ao longo do caminho é (...) um aspecto do nosso mais profundo e elevado eu.” (S. Nichols)

Nesse curso teórico-vivencial iremos elucidar os principais conceitos da teoria junguiana a partir da amplificação simbólica dos símbolos presentes nos arcanos maiores do tarô, relacionando-os a arquétipos presentes na constituição psíquica do ser humano. Demonstraremos ainda, a partir da fundamentação teórica fornecida e de vivências propostas, como a Arteterapia pode contribuir com os seus recursos para o processo de individuação. Com isso, visamos promover uma compreensão ampliada da jornada heróica rumo à autorrealização e dos desafios propostos à consciência para que ela se desenvolva de forma integrada, equilibrada e saudável.

Programa:
- A Arteterapia como ponte de acesso à dimensão arquetípica
- Sincronicidade, realidade unitária e integração psique-mundo
- O processo de individuação através dos símbolos presentes no tarô
- Os 22 arcanos maiores e seus arquétipos correspondentes
- A jornada criativa rumo à totalidade psíquica

Quando: Segundas-feiras (quinzenalmente), das 19 às 21:30hs
Onde: Rua Ministro de Godói, 1267, Perdizes, SP Tel: 3862-2411
Início: 5 de março (ao todo serão 10 aulas, de março a julho)
Investimento: 872,00 (à vista, com desconto) ou 5 parcelas mensais de 194,00
Inscrições: pelo e-mail pat.pinna@uol.com.br (Vagas limitadas!)



Curso ministrado por:
Patrícia Pinna Bernardo (Psicóloga/Arteterapeuta)
Oneide Depret (Psicóloga/Arteterapeuta)

Patrícia Pinna Bernardo
Coordenadora da Pós-graduação em Arteterapia e da Pós-graduação em Arteterapia Aplicada: saúde, artes, educação e organizações (UNIP). Psicóloga (USP) e Artista Plástica (FAAP), Pós-doutora em Mitologia Criativa e Arteterapia (FEUSP), Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), Mestre em Psicologia Clínica (PUC-SP), Arterapeuta e psicoterapeuta, atuando há 28 anos com crianças, adolescentes e adultos em consultório, escolas e instituições. Professora Universitária em cursos de graduação e Pós há 16 anos (Psicologia, Pedagogia, Artes Plásticas, Musicoterapia, Arte-educação, Arteterapia). Supervisora de trabalhos clínicos e institucionais.



Oneide Depret
Psicóloga (USP), Arteterapeuta (UNIP), Mestranda em Ciências da Saúde (UNIFESP). Professora Universitária em cursos de especialização em Arte-Educação e Arteterapia. Professora de Mitologia Criativa e Supervisora de trabalhos clínicos e institucionais. Psicoterapeuta e arteterapeuta com foco no trabalho individual e em grupos voltados para o autoconhecimento.

Curso: Automaquiagem - Masquiagem - Máscaras

PROGRAMAÇÃO PRIMEIRO SEMESTRE 2012 CURSO TEÓRICO-VIVENCIAL: AUTOMAQUIAGEM - MASQUIAGEM - MÁSCARAS: Maquiagem expressiva, Mitologia e Arteterapia Toco a sua boca com um dedo, toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se, pela primeira vez, a sua boca entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que minha mão escolheu e desenha no seu rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade, eleita por mim para desenhá-la com minha mão em seu rosto, e que, por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que minha mão desenha em você. (J. Cortázar) 1o Módulo (13 de fevereiro a 23 de abril) A automaquiagem e as diversas faces do Feminino: sensualidade, criatividade e autorrevelação

Nesse módulo trabalharemos o tema do Feminino e suas diversas facetas, enfocando a automaquiagem e mitos de diversas origens como caminho para o acesso a aspectos que, trazidos assim à tona e revelados, podem conduzir ao encontro com a alma, a beleza e a expressão criativa. Temas abordados: Autoimagem; sensualidade; sexualidade; criatividade; ludicidade; o encontro com a deusa interior Quando: Segundas-feiras (quinzenalmente), das 19 às 21:30hs Onde: Rua Ministro de Godói, 1267, Perdizes, SP Tel: 3862-2411 Início: 13 de fevereiro (ao todo serão 6 aulas) Investimento: 530,00 (à vista, com desconto) ou 3 parcelas mensais de 194,00 Inscrições: Preencha a ficha de inscrição (no final desse post) e a envie pelo e-mail pat.pinna@uol.com.br para garantir a sua vaga! 2o Módulo (7 de maio a 2 de julho) Máscaras e masquiagem expressiva: desvelando aspectos de nosso panteão interior

Nesse módulo trabalharemos o tema das máscaras nos antigos rituais de iniciação e cura, no teatro e na Arteterapia, desembocando no teatro arquetípico em que entramos em contato com aspectos de nosso mito pessoal. Temas abordados: Persona e sombra; a máscara ritual e pintura facial nas diversas tradições ancestrais; “animal de poder”; a máscara no teatro ocidental e oriental; clown; máscaras pessoais e teatro arquetípico. Quando: Segundas-feiras (quinzenalmente), das 19 às 21:30hs Onde: Rua Ministro de Godói, 1267, Perdizes, SP Tel: 3862-2411 Início: 7 de maio (ao todo serão 5 aulas) Investimento: 437,00 (à vista, com desconto) ou 3 parcelas mensais de 161,00 Inscrições: Preencha a ficha de inscrição (no final desse post) e a envie pelo e-mail pat.pinna@uol.com.br para garantir a sua vaga! Curso ministrado por: Patrícia Pinna Bernardo (Psicóloga/Arteterapeuta) Luciana Birindelli (Direção de Arte em teatro/Atriz) Patrícia Pinna Bernardo Coordenadora da Pós-graduação em Arteterapia e da Pós-graduação em Arteterapia Aplicada: saúde, artes, educação e organizações (UNIP). Psicóloga (USP) e Artista Plástica (FAAP), Pós-doutora em Mitologia Criativa e Arteterapia (FEUSP), Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), Mestre em Psicologia Clínica (PUC-SP), Arterapeuta e psicoterapeuta, atuando há 28 anos com crianças, adolescentes e adultos em consultório, escolas e instituições. Professora Universitária em cursos de graduação e Pós há 16 anos (Psicologia, Pedagogia, Artes Plásticas, Musicoterapia, Arte-educação, Arteterapia). Supervisora de trabalhos clínicos e institucionais. Luciana Birindelli www.lubirindelli.blogspot.com Formada em Artes Cênicas pela USP, se especializou nas áreas do Design de Cena e Direção de Arte ao cursar também a Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa. Com especialização na área de Design de Interiores pela FAAP atua nas diversas áreas de direção de arte em teatro, vitrines e exposições. Desde 2005 ministra cursos para crianças, jovens e adultos nas áreas de teatro, cenografia, figurinos, maquiagem e caracterização cênica. Atuou em instituições como SESC, TUSP, Escola Pueri Domus, Teatro Escola Célia Helena e Teatro Escola Incenna. Recentemente, desenvolveu trabalhos de maquiagem para campanhas publicitárias.

FICHA DE INSCRIÇÃO: NOME: ENDEREÇO: TEL RES/COM: CELULAR: E- MAIL: FORMAÇÃO: ATUAÇÃO PROFISSIONAL ATUAL: ASSINALE ABAIXO O(S) GRUPO(S) QUE FREQUENTARÁ: ( ) A automaquiagem e as diversas faces do Feminino: sensualidade, criatividade e autorrevelação ( ) Máscaras e masquiagem expressiva: desvelando aspectos de nosso panteão interior

06/01/2012

"O menino que Escrevia versos", conto de Mia Couto

"De que vale ter voz se só quando não falo é que me entendem? De que vale acordar se o que é vivo é menos do que sonhei?" (versos do menino que fazia versos)

- Ele escreve versos!
Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico levantou os olhos, por cima das lentes, com o esforço de alpinista em topo de montanha.
- Há antecedentes na família?
- Desculpe, doutor?
O médico destrocou-se em tintins. Dona Serafina respondeu que não. O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias. Tratava-a bem, nunca lhe batera, mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias.
- Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol.
Ela hoje até se comove com a comparação: perfume de igual qualidade qual outra mulher ousa sequer sonhar? Pobres que fossem esses dias, para ela, tinham sido lua-de-mel. Para ele, não fora senão período de rodagem. O filho fora confeccionado nesses namoros de unha suja, restos de combustível manchando o lençol. E oleosas confissões de amor.
Tudo corria sem mais, a oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo. mas eis que começaram a aparecer, pelos recantos da casa, papéis rabiscados com versos. O filho confessou, sem pestanejo, a autoria do feito.
- São meus versos, sim.
O pai logo setenciaria: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de estudos a mais, perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar no esfrega-esfrega com as meninas, se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda, escrevia versos. O que se passava: mariquice intelectual? Ou carburador entupido, avarias dessas que a vida do homem se queda em ponto morto?
Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu: então, ele que fosse examinado.
- O médico que faça revisão geral, parte mecânica, parte eléctrica.
Queria tudo. que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões e, sobretudo, lhe espreitassem o nível do óleo na figadeira. Houvesse que pagar por sobressalentes, não importava. O que urgiu era pôr cobro àquela vergonha familiar.
Olhos baixos, o médico escutou tudo, sem deixar de escrevinhar num papel. Aviava já a receita para poupança de tempo. Com enfado, o clínico se dirigiu ao menino:
- Dói-te alguma coisa?
- Dói-me a vida doutor.
O doutor suspendeu a escrita. A resposta, sem dúvida, o surpreendera. Já Dona Serafina aproveitava o momento: Está a ver doutor? Está ver? O médico voltou a erquer os olhos e a enfrentar o miúdo:
- E o que fazes quando te assaltam essas dores?
- O que melhor sei fazer excelência.
- E o que é?
- É sonhar.
Serafina voltou à carga e desferiu uma chapada na nuca do filho. Não lembrava o que o pai lhe disse sobre os sonhos? Que fosse sonhar longe! Mas o filho reagiu: longe, porquê? Perto, o sonho aleijaria alguém? O pai teria, sim, receio do sonho. E riu-se, acarinhando o braço da mãe.
O médico estranhou o miúdo. Custava a crer, visto a idade. Mas o moço, voz tímida, foi se anunciando. Que ele, modéstia apartada, inventara sonhos desses que já nem há, só no antigamente, coisa de bradar à terra. Exemplificaria, para melhor crença. Mas nem chegou a começar. O douto o interrompeu:
- Não tenho tempo, moço, isto aqui não é nenhuma clínica psiquiátrica.
A mãe, em desepero, pediu clemência. O doutor que desse ao menos uma vista de olhos pelo cadermninho dos versos. A ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio. Contrafeito, o médico aceitou e guardou o manuscrito na gaveta. A mãe que viesse na próxima semana. E trouxesse o paciente.
Na a semana seguinte, foram os últimos a ser atendidos. O médico, sisudo, taciturneou: o miúdo não teria, por acaso, mais versos? O menino não entendeu.
- Não continuas a escrever?
- Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho este pedaço de vida - disse, apontando um novo caderninho - quase a meio.
O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que se poderia pensar. O menino carecia de internamento urgente.
- Não temos dinheiro - fungou a mãe entre soluços.
- Não importa - respondeu o doutor.
Que ele mesmo assumiria as despesas. E que seria ali mesmo, na sua clínica, que o menino seria sujeito a devido tratamento. E assim se procedeu.
Hoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs e tardes ele se senta num recanto do quarto onde está internado o menino. Quem passa pode escutar a voz pausada do filho do mecânico que vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração. E o médico, abreviando silêncios:
- Não pare, meu filho, continue lendo...

23/12/2011

Nesse Natal, coloque os seus sonhos aos Ojos de Dios!

“Rezar muito e ter fé. Porque as coisas estão todas amarradinhas em Deus.” (Guimarães Rosa)


O Natal é um momento sagrado, por diversos motivos, mas todos apontam para o Centro, para o que nos é essencial, e que está na base de tudo o que desejamos, acreditamos e esperamos viver. Por isso, alude à idéia de renascimento, ao símbolo da Criança Divina que nos coloca em contato com nossos sonhos de felicidade, bem aventurança e contentamento... Tantos quantos forem os nomes que os homens derem para Deus, assim também serão as formas de festejarmos, compartilhando com a família humanidade os frutos colhidos da Árvore da Vida a partir desses sonhos acessados no céu estrelado (cada estrela um dom divino à espera de ser despertado em nós) e semeados na terra onde trilhamos a nossa existência.
“Tudo, aliás, é a ponta de um mistério, inclusive os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece há um milagre que não estamos vendo.” (Guimarães Rosa).


Como dizem os hindus:

"Deus é um círculo cujo centro está em toda parte e a circunferência em nenhuma". E como falou sabiamente Alce Negro a partir de um sonho iniciático:

"Mas todo lugar é o centro do mundo, e lá eu via de uma maneira sagrada, a forma de todas as coisas no espírito, e a forma de todas as formas, como teriam que viver juntas como um único ser. E vi que o aro sagrado de meu povo era um de muitos aros que formavam um único círculo, largo como a luz do dia e a luz das estrelas, e no centro dele crescia uma única majestosa árvore florida, que abrigaria todas as crianças de uma única mãe e um único pai.”


Uma forma bonita de trazermos para a realidade essas sementes de amanhãs nesse Natal pode ser confeccionando e pendurando em nossa Árvore de Natal Ojos de Dios ou Olhos de Deus, recurso que eu pesquisei para poder utilizar essa atividade no trabalho arteterapêutico (copio do meu livro Vol 1: Temas centrais em Arteterapia, o trecho abaixo que conta com que fim esses objetos eram confeccionados):

"Os “olhos de Deus” eram confeccionados por povos ancestrais da África e da América Central (México, Peru), sendo também encontrados no Oriente. No México, o “olho mágico” é pendurado do lado direito da porta de entrada de uma casa, como amuleto de proteção. Esses povos teciam um “olho de Deus” quando nascia uma criança: o miolo representa os olhos de Deus sobre essa criança, protegendo-a, e os fios coloridos representam os pedidos feitos a Deus, como por exemplo: sorte, saúde, amor, etc. Esse objeto era então pendurado em seu berço, e a cada ano de vida um novo “olho de Deus” era confeccionado. Considerava-se que quando essa criança tivesse 5 anos, ela já seria então capaz de confeccionar os seus próprios “olhos de Deus”, fazendo-o a cada aniversário seu." (in: BERNARDO, 2008).

Sendo assim, podemos confeccionar Ojos de Dios na época do Natal marcando o seu contro com a cor que represente a semente divina dentro de cada um de nós (escolha a cor que para você o sagrado, a luz, a dimensão divina) e escolha uma cor diferente para representar cada pedido seu para o novo ano, você pode também confeccionar Olhos de Deus para presentear os amigos e parentes, e até mesmo para Gaia (o nosso lindo planeta Terra), expressando o que deseja para todos (para todos os nossos parentes que convivem conosco na Terra: homens, plantas, pedras, animais...) e pendurá-los todos em alguma árvore ou planta. E um conto que pode ser trazido à cena, inspirando a confecção de Ojos de Dios (que podem ser feitos por todas as pessoas de uma família, ou num grupo, por exemplo), é Os Sete Novelos (copio abaixo o resumo dessa história do meu livro Vol 1):
"Esse conto começa com um rei viúvo que tem 7 filhos, os quais vivem em desacordo, fato que preocupa bastante o pai. Quando o rei morre, os filhos ficam sabendo que têm um único dia para aprenderem a conviver pacificamente: recebem um novelo de seda de cor diferente cada um, e devem conseguir transformar esses novelos em ouro para receberem a herança de seu pai. Decidem então confeccionar com os sete novelos um único tecido, que é transformado em ouro ao ser vendido no mercado por uma quantia generosa paga em moedas de ouro, e ao final dessa tarefa aprendem o valor da cooperação, recebendo sua herança, além de decidirem dali para a frente ensinar às pessoas de sua aldeia a transformar fios coloridos de seda em ouro." (in: BERNARDO, 2008).

“As coisas assim a gente não perde nem abarca. Cabem é no brilho da noite. Aragem do sagrado. Absolutas estrelas". (G. Rosa).

"Vem cá, senta hoje ao meu lado,
olha junto comigo para o céu
depois de um dia de trabalho
depois de rir e chorar, falar e calar (...)

O que resta de nós na noite escura?
Temores? Tremores? Certezas? Dúvidas?
Cheiros? Cores? Vertigens? Funduras? (...)

De você, quero o olhar que me reconhece
chama acesa no centro do peito.
De mim, verte esperança...
De nós dois, quero os sonhos que se possam concretizar.

Por isso, olha para o céu e me diz: qual dessas estrelas
é semente de manhã que se possa cultivar?

Porque todos os sonhos são sementes
e todas as estrelas são guias...
(trechos de um poema meu, 1999)

16/12/2011

"A Infinita Fiandeira", conto de Mia Couto

Qualquer semelhança entre a aranha, o artista e o arteterapeuta não é mera coincidência... A arte etrelaça o homem à teia de todas as nossas relações, mas nem sempre isso é compreendido por quem não sabe olhar através do palpável, e assim vislumbrar as infinitas possibilidades de recriar a Vida! Como escreveu Mia Couto na epígrafe do seu livro de contos: "O Fio das Miçangas":



A miçanga, todos as vêem. Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as miçangas. Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo.




A INFINITA FIANDEIRA

A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs.
E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cacimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem nem finalidade. Todo bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatias funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções.
Para a mãe-aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie.
- Não faço teias por instinto.
- Então, faz porquê?
- Faço por arte.
Benzia-se a mãe, rezava o pai. Mas nem com preces. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. os pais, após concertação, a mandaram chamar. A mãe:
- Minha filha, quando é que acentas as patas na parede?
E o pai:
- Já eu me vejo em palpos de mim...
Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse:
- Estamos recebendo queixas do aranhal.
- O que é que dizem, mãe?
- Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas.
Até que se decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. A moça seria até virgem, não tendo nunca digerido um machito. E organizaram um amoroso encontro.
- Vai ver que custa menos que engolir mosca - disse a mãe.
E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa?
A aranhiça levou o namorado a visitar sua coleção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria prova de seu amor.
A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Qaundo ela, já transfigurada., se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?
- Faço arte.
- Arte?
E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera um tempo, em tempos de que já se perdera memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos - chamados de obras de arte - tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembrava bem em que bichos. Aranhas, ao que parece.

29/11/2011

10/12: Sarau e lançamento do meu novo livro!

O seu coração era o lugar onde o rio e as plantas, as árvores e o ar se podiam visitar, fundir, excitar-se mutuamente e celebrar festas de amor. (H. Hesse)


10/12 (sábado) - a partir das 20hs, no meu consultório:

SARAU E LANÇAMENTO DO MEU LIVRO: Coleção A Prática da Arteterapia - Vol VI:

Amor, Sexualidade, o Sagrada e a Arteterapia:
Aproximações mitológicas entre Oriente e Ocidente

Venha compartilhar os seus talentos e viver momentos especiais, com apresentações musicais, performances teatrais, e o que mais vocês quiserem apresentar! Traga os seus amigos, o que você quiser beber e um prato de comida, e se quiser traga também 1 quilo de alimentos não perecíveis (que serão doados), assim não faltará comida nem bebida para ninguém.


A beleza não é um atributo como uma película envolvendo uma virtude, meramente o aspecto estético da aparência. Se não houvesse beleza, junto com a bondade e a verdade e o uno, nunca poderíamos senti-los, conhecê-los. A beleza é uma necessidade epistemológica, é o modo como os Deuses tocam os nossos sentidos, alcançam o coração e nos atraem para a vida. (J. Hillman)

Durante o sarau, haverá também o lançamento do meu novo livro aqui em São Paulo, será maravilhoso compartilhar com vocês a alegria de mais esse nascimento, com muito amor!


O amor é um sentimento tão grande
Que é preciso crescer por dentro para
Que ele possa entrar
É o único lugar onde o medo não pode morar.
É um lago tão quieto que confusão alguma pode perturbar.
É um fogo tão quente que até a dor pode transformar.

(Patrícia Gebrim)


"... Há de surgir uma estrela no céu cada vez que ocê sorrir ... Hum! Deus fará absurdos contanto que a vida seja assim... Sim, um altar onde a gente celebre tudo o que Ele consentir..."

(Gilberto Gil, Estrela)

02/11/2011

"Dia de muertos"

...Oh, arco trêmulo e retesado,
Quando o punho violento da saudade
Exige que da vida os dois pólos
Curvados se aproximem!
Vezes e mais vezes, incessantemente,
Me lançarás, me perseguirás,
Da morte ao nascimento,
No doloroso caminho das configurações,
No maravilhoso caminho das configurações.”

(H. Hesse)

Quando estive em Oaxaca, México, tive a oportunidade de participar dos festejos do “dia de muertos”. Segundo o mito mexicano, nos primeiros dias de novembro os mortos têm a permissão divina para atravessar o portal que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos, visitar seus parentes e amigos (vivos) e com eles festejar a vida. Todos os estabelecimentos comerciais se enfeitam, geralmente com caveiras que aparecem confraternizando com os vivos em banquetes, tocando, dançando e cantando. Os mercados vendem doces em forma de caveira, e há até pães “de muertos“, feitos especialmente para essa data. Nas casas erguem-se belíssimos altares, construídos com flores, frutas, chocolates, bebidas, velas (que são acesas à noite), e às vezes até alguns objetos; nesses altares são colocadas comidas e bebidas que os mortos de cada família gostavam de consumir.
Nos festejos do “dia de muertos” acontece uma procissão dedicada à Nossa Senhora de Guadalupe (padroeira de Oaxaca, que corresponderia à Nossa Senhora de Aparecida para nós), e depois as pessoas se dirigem aos cemitérios onde estão enterrados os seus familiares.Os túmulos são decorados e cuidadosamente preparados para essa celebração, e todos ceiam sobre esses mesmos túmulos, num clima de grande festa, acompanhada até de fogos de artifício. No entanto, também se chora de saudades pelos que foram, pois não se trata de negar a dor da perda que a morte traz, mas se reconhece que a morte está incluída na “Roda da Vida” (“Roda de Cura” indígena) como uma de suas etapas: à morte segue-se o renascimento. Na verdade, essa grande festa constitui-se numa celebração da vida, que por trás do manto da morte se recria e adquire novas formas


Eu começo a minha tese de doutorado, e o meu livro Vol II: Mitologia Indígena e Arteterapia: A Arte de Trilhar a Roda da Vida, contando sobre essa minha experiência vivenciada durante um workshop do qual participei em Oaxaca: "Incubação de Sonhos", e comentando o sentido dessa voisão cíclica da vida para o homem de hoje. Conforme indígenas mexicanos me ensinaram lá, a Roda da Vida, ou “Roda de Cura”, representa a vida com suas sucessivas etapas, que se desenrolam em ciclos. Nessa roda, os quatro pontos cardeais são associados aos quatro elementos, a diferentes animais e cores, a diferentes fases da vida e de qualquer processo, indo da semente ao fruto colhido: cada fase de nossas vidas é comparável ao desdobrar-se da semente (nascimento) em fruto (velhice e morte), o que constitui-se num processo de transformação.
A vida de uma pessoa atravessa várias etapas (nascimento, adolescência, maternidade-paternidade, atuação social e profissional, morte, entre outras), e em cada uma delas há a oportunidade de aprendermos algo novo e importante sobre nós mesmos, sobre o outro e sobre o mundo à nossa volta. Esse aprendizado que as experiências de vida nos trazem, quando assimilado e integrado à nossa consciência, nos transforma, ampliando a nossa visão de homem e de mundo. E todo processo de transformação envolve a vivência de uma morte simbólica e de um posterior renascimento. Por saber disso, e para ajudar o homem a atravessar as crises que acompanham sempre esses processos de transformação, os povos ancestrais dispunham de rituais de iniciação e passagem.

Encontramos ainda hoje alguns desses rituais atuantes em nossa cultura (batismo, casamento, enterro, etc.), mas a maioria deles perdeu a conexão com um significado simbólico mais profundo do que se está vivenciando neles, constituindo-se nos dias de hoje, em sua maioria, em convenções vazias de seu sentido iniciático. Esses rituais tinham a função de favorecer o nosso crescimento através de um relacionamento significativo e auto-renovador com os diferentes ritmos e ciclos existenciais (estações do ano, plantio e colheita, nascimento e morte, casamento, puberdade, ofício, etc.), nos predispondo à abertura ao novo.

Como não dispomos mais de rituais para nos ajudar nesses momentos de crise que acompanham o nosso crescimento psíquico, a Arte pode nos oferecer a oportunidade de vivenciar esses momentos de forma mais integrada.


No México, a cruz tem flores em seus 4 cantos, ao invés da imagem do Cristo crucificado, simbolizando o néctar (a doçura) contido nos 4 pontos da Roda de Cura, que também é chamada da “Roda da Doce Medicina”, pois em todos os procedimentos indígenas de cura e de passagem de seus ensinamentos encontramos formas de expressão artística: canto, dança, narração de histórias, pintura, escultura..., ajudando-nos a extrair sabedoria, como néctar, de nossas experiências vividas, da mesma forma que o beija-flor se nutre do néctar das flores, e assim poliniza os jardins...

A vida é doce prá quem cultiva flores,
porque é delas que as abelhas retiram
os néctares de seu mel.

A vida é plena
prá quem, sobre seus túmulos, ergue altares,
fertilizando com suas lágrimas (como chuva)
suas semeaduras.

A vida faz sentido
prá quem se reconhece
nas tramas do próprio destino
e com seus fios tece horizontes...

A Vida encanta, acalanta, canta
prá quem dança, com alegria,
dentro da Roda da Medicina (Roda de Cura indígena)
fazendo da terra, da água, do fogo e do ar, remédios para suas
feridas (e prá quem se abre para fazer parcerias).

A Vida ilumina
quem acolhe seu devir de alquimista, transformando em ouro,
em tesouros, as pedras que encontra pelo caminho
(colocando-as, incandescentes, no centro do casulo de seus sonhos)
transmutando seus cestos de carga em sacolas de talismãs.

Oaxaca é aqui, é agora,
prá quem, a cada lua nova, se deita com o sol
e celebra, a cada lua cheia, a Vida que entrelaça todos os seres
e os impulsiona a renascer... “

(“Oaxaca”, minha autoria, 1999)

31/10/2011

Feliz dia das bruxas! Minha homenagem à mulher selvagem em cada um de nós...





As bruxas, mulheres que se dedicavam à fabricação de remédios e unguentos à base de ervas, que cultuavam a fertilidade da terra, que honravam as forças da Terra, da Água, do Fogo e do Ar, e que compreendiam os ciclos como necessários à renovação da vida, foram queimadas em fogueiras nas quais também sacrificavam-se os gatos, animais associados ao feminino e seus mistérios, e com isso os ratos proliferaram... O resultado dessa crueldade foi a peste bubônica, e a ferida psíquica que apartou o matriarcado do patriarcado, ao invés de integrá-los amorosamente, pelo caminho do coração, impulsionando o nosso desenvolvimento em direção à alteridade, à intreração criativa entre as diferenças, entre as polaridades.
Mas nem sempre foi assim... Como escrevo no meu livro Vol VI: Amor, Sexualidade, o Sagrado e a Arteterapia, no capítulo: "A Prostituta Sagrada: o êxtase e o matrimônio interior":
"De acordo com Harding (1985), entre tribos ancestrais, eram feitos rituais à lua e ao seu poder fertilizador. Nesses rituais, cabia às mulheres “o cuidado com o suprimento da água e a guarda da chama sagrada, ou fogo sagrado, que representa a luz da lua e que não se pode permitir que se apague”. (p. 176-177). As sacerdotisas da lua “recebiam a energia fertilizante da divindade em suas próprias pessoas, como mulheres, sendo esta uma função efetuada para o benefício de toda a tribo”. (p. 177). Elas eram chamadas de virgens, pois não pertenciam a nenhum homem, não se casavam, e “em muitos lugares essas sacerdotisas eram prostitutas sagradas, que se davam a estranhos e aos fiéis adoradores da deusa”. (p. 182). (...)
Segundo Harding (1985), a prostituição sagrada era praticada principalmente pelas mulheres da realeza da Grécia e Ásia Menor, e na Babilônia “as filhas de famílias nobres se prostituíam no templo de Anaíta, a deusa lua do mazdeísmo, dedicando-lhes os primeiros frutos de sua feminilidade.” (p. 186). A autora também ressalta que “os ritos sexuais das bruxas tinham o significado de uma união com o poder divino, mas também era um rito mágico para assegurar a fertilidade (...) esses ritos correspondem aos que eram praticados nos antigos mistérios da deusa Lua”. (p. 192).

Harding (1985) comenta que os homens eram iniciados nos templos da deusa Lua pelas sacerdotisas, que incorporando a deusa em si, ritualizavam um hieros gamos (casamento sagrado), como “um sacramento de união com a natureza divina e feminina e também um ritual para a renovação de seus poderes de fertilidade.” (p. 193). Da mesma forma, também era desejável que as mulheres, pelo menos uma única vez na vida, tivessem a experiência de "dar-se não a um homem em particular, por amor a ele, isto é, por razões pessoais, mas à deusa, a seu próprio instinto, ao princípio Eros que nela existia. No hieros gamos, no matrimônio santo, não importava quem pudesse ser o homem, cuidava-se sim que ele não fosse o homem escolhido. Precisava ser um estranho. Não importava sequer o tipo de experiência que a mulher poderia ter. (...) Para a mulher, o significado da experiência devia residir na sua submissão ao instinto, não importando de que forma a experiência lhe acontecesse." (HARDING, 1985, p. 197).

Segundo Stein (1978), como no mundo atual não existem mais rituais que permitam essa vivência de forma integrada, possibilitando o amadurecimento sexual da mulher, sendo que mesmo a vivência da liberação sexual não a liberta dos conflitos que envolvem essa questão em sua psique, um dos caminhos para a mulher seria a aceitação de sua sexualidade indiferenciada sem se sentir vulgar, mas no sentido de ser tão livre quanto o homem “para permitir que as imagens sexuais penetrem na consciência”, e assim o seu animus “deixará de exigir que seja sempre aberta, pronta para o relacionamento e o amor, começando a aceitar o fato de que ela pode ser imaginativamente criativa em outras áreas além do relacionamento humano e ainda assim ser feminina”. (p. 147).
O poema de Bruna Lombardi mostra bem como essa “mulher selvagem”, “bruxa” ou “prostituta sagrada”, apesar de ter sido abafada, reprimida e condenada a partir da cisão do matriarcado com o patriarcado, bem como queimada viva na fogueira da Inquisição, ainda pode ser encontrada no âmago da mulher de hoje:

Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que goza
você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.
É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa
Atravessou a história
foi queimada viva, acusada,
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira,
maior, mais larga
absolutamente poderosa.

Com isso, poderemos nos abrir para vivenciar relacionamentos entre dois seres humanos inteiros, não mais concebidos como “duas metades de uma mesma laranja” que se unem, o que dá margem à co-dependência que mata a criatividade e o potencial transformador do relacionamento conjugal, mas compreendendo que os parceiros podem auxiliar-se mutuamente a ter uma vida mais rica e criativa, e um contato mais profundo com a sua própria humanidade. Como bem coloca Stein (1978, p. 157): “A essência da criatividade, que pode manifestar-se tanto no relacionamento e no desenvolvimento humano como no trabalho criativo, é sempre o amor”." (BERNARDO, 2011, p. 209 - 213).

Feliz dia das bruxas, com muito amor... pela natureza, pela energia pulsante em cada átomo de vida, pela nossa natureza humano-divina!

(As colagens desse post são detalhes da colagem que fiz no meu piano).




06/10/2011

O meu novo livro!!! Amor, Sexualidade, o Sagrado e a Arteterapia

É com muita alegria e muito prazer que convido vocês para o lançamento do meu novo livro, durante o Congresso Internacional de Arteterapia (12 a 15 de outobro, em Ouro Preto), Coleção A Prática da Arteterapia - Vol VI

AMOR, SEXUALIDADE, O SAGRADO E A ARTETERAPIA
aproximações mitológicas entre Oriente e Ocidente


Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. (G. Rosa)


SUMÁRIO:
- MITOHERMENÊUTICA E ARTETERAPIA
- A “CAVERNA DO CORAÇÃO”
- AFRODITE - DEUSA DO AMOR, DA FERTILIDADE, DA BELEZA E DA ARTE
- O NASCIMENTO DE AFRODITE E SEU SÉQUITO DE DEUSAS
As Horas / A deusa Peito /
As Graças e as Musas / Aidos
- EROS

- SEXUALIADE SAGRADA - TANTRA, YOGA E A EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA
Shiva-Shakti / Hata Yoga
- OS CHAKRAS
- O TAO - YIN E YANG COMO OS BRAÇOS DO UM
- SCHERAZADE E AS 1001 NOITES - O PODER TRANSFORMADOR DA SEXUALIDADE E DO AMOR

- A PROSTITUTA SAGRADA: O ÊXTASE E O MATRIMÔNIO INTERIOR

O amor é antes de mais nada um movimento em busca de união. Talvez o amor seja o princípio de união e como tal é idêntico ao princípio criativo. Aqui chegamos ao cerne da questão. Se amor e desejo criativo são a mesma coisa, então a conexão humana é sem dúvida fundamental para a criatividade. Não se deve mais conceber o amor como algo cego, pois ele tem direção e visão. Além disso, o amor tanto pode transformar-se como causar transformação. Estou convencido de que o próprio homem se encontra em contínuo processo de criação em conseqüência das transformações sofridas pelo instinto criativo (Amor). (R. STEIN)

Convido também vocês que irão ao Congresso a assistir os trabalhos que eu apresentarei lá:

13 de outubro, das 14 às 16hs:
Workshop: Mitologia oriental e arteterapia: o amor, a conjugalidade, a sexualidade sagrada e a individuação

14 de outubro, das 16:30 às 18:30 hs
Palestra (mesa coordenada):
Contribuições das culturas ancestrais para o ensino: a integração eu-outro-meio-ambiente, a dimensão do sagrado e a Arteterapia

15 de outubro, das 8 às 10hs:
Palestra (mesa coordenada):
Sexualidade, amor humano e arteterapia: aproximações mitológicas entre oriente e ocidente na busca pelo ser integral

NAMASTÊ!
Eu saúdo você do lugar onde você e eu somos um

06/09/2011

MInha entrevista sobre Arteterapia no programa Sinais de Fumaça!

Consegui colocar no Youtube a minha entrevista sobre Arteterapia e Mitologia Indígena no programa Sinais de Fumaça, apresentado por Samuel Souza de Paula, no dia 23/08/2011. Ela está dividida em 4 partes, convido a todos a assisti-la! É sempre um grande prazer pode levar ao púbçlico mais informações sobre a Arteterapia, que trabalha na trilha da sabedoria ancestral, da Doce Medicina Indígena...







05/09/2011

Minha entrevista sobre Arteterapia no programa Web Divã em abril de 2010


Convido vocês a assistirem a uma entrevista que dei à AllTV sobre Arteterapia, para Renata Antonelli, no programa Web Divã, em abril/2010 - no início aparece uma banda e comerciais, mas passando por esse início, vocês assistem à minha entrevista. Espero que gostem!



Patricia Pinna from Felipe Vaz Guimarães on Vimeo.

02/09/2011

Programa Papo de Mãe: "meu filho é um artistta"

Eu tive o imenso prazer de participar, como especialista (psicóloga e arte-educadora), do programa Papo de Mãe, comentando juntamente com as mães e outros participantes sobre o tema: filhos artistas http://www.papodemae.com.br/search/label/Filhos%20artistas, apresentado por Mariana Kotscho e Roberta Manreza, na TV Brasil, que foi ao ar no dia 14 de agosto. O programa foi muito interessante. Filhos talentosos, mães dedicadas, a arte é sempre bem-vinda quando permite o florescimento de nossos potenciais, trazendo encanto e beleza para o mundo... Vale a pena assistir!




Programa Papo de Mãe - Filhos Artistas - Parte 1 por papodemae


Programa Papo de Mãe - Filhos Artistas - Parte 2 por papodemae


Programa Papo de Mãe - Filhos Artistas - Parte 3 por papodemae

24/08/2011

Nessa sexta, 26/08, darei a palestra: Arteterapia e Saúde Integral em Pindamonhangaba

Nessa sexta, 26 de agosto, terei o imenso prazer de falar sobre Arteterapia e Saúde Integral para os participantes do 3o Fórum do Centro de Práticas Integrativas e Complementares de Pindamonhangaba, a convite da querida amiga Arteterapeuta Maria de Fátima Barros, que tem feito um lindo trabalho levando a Arteterapia para o Centro de Práticas Integrativas da Prefeitura Municipal de Pindamonhangaba, que congrega Homeopatia, Fitoterapia, Alimentação Saudável, Arteterapia, Lian Gong e Terapia Comunitária. É uma honra poder contribuir de alguma forma para um projeto tão importante e bem-vindo como esse! A Prefeitura Municipal de Pindamonhangaba, em 27 de abril de 2007, instituiu uma portaria que regulamenta as Práticas Integrativas de Saúde no âmbito municipal. Exemplo a ser seguido e parabenizado!!!

22/08/2011

Nessa terça, 23 de agosto, estarei dando uma entrevista sobre Arteterapia e Xamanismo!



Nessa terça, dia 23 de agosto, das 19 às 2ohs, estarei novamente sendo entrevistada por Samuel Souza de Paula, dessa vez falando sobre Arteterapia e Xamanismo no programa Sianis de Fumaça, pela internete, com participação pelo chat ao vivo! Para assistir é só entrar no site: http://www.biosegredotv.com.br/ Vou adorar responder perguntas de vocês no programa!

14/08/2011

A entrevista que dei sobre Criatividade já está em vídeo, os convido a assistir!

Dia 5 de agosto tive o prazer de ser mais uma vez entrevistada por Renata Antonelli, dessa vez o tema foi sobre Criatividade, no programa Webdivâ, que foi ao ar pela allTV, assistam a essa entrevisa abaixo!




Renata Antonelli entrevista Patrícia Pinna sobre Criatividade - webdivâ na allTV from Patrícia Pinna on Vimeo.

04/08/2011

Dia 5/8 darei uma entrevista sobre Criatividade na allTV! Participe pelo chat!

Nessa sexta, dia 5 de agosto, eu serei entrevistada no programa Web Divã falando sobre Criatividade e Arteterapia, das 21 às 22hs. O programa é pela allTv, é só entrar no link: http://www.alltv.com.br/ e dá para participar ao vivo pelo chat, vou adorar se vocês puderem assistir e participar!!!