"Que te devolvam a alma homem do nosso tempo. Pede isso a Deus ou às coisas que acreditas: à terra, às águas, à noite desmedida. Uiva se quiseres, ao teu próprio ventre se é ele quem comanda a tua vida, não importa... Pede à mulher, àquela que foi noiva, à que se fez amiga. Abre a tua boca, ulula, pede à chuva. Ruge como se tivesses no peito uma enorme ferida, escancara a tua boca, regouga: A ALMA. A ALMA DE VOLTA." (Hilda Hilst)

29/12/2010

FELIZ 2011!!!

TUDO PERFEITO E MARAVILHOSO 2011
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AGORA EU CHEGUEI LÁ 2011
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(clique nos links para ouvir as músicas relacionadas aos temas dessa mensagem)
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Nascer é assim:
Os girassóis lentamente viram suas corolas para o sol. O trigo está maduro. O pão é com doçura que se come. Meu impulso se liga ao das raízes das árvores” (Clarice Lispector)

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2011, evocando a energia da terra (4), entra em nossas vidas mobilizando a concretização de nossos sonhos e anseios. Por isso, ai daqueles que não se permitem sonhar... Pois de que ponto partiremos e para onde caminharemos sem os faróis acesos do desejo?
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“...vontade que sonha e que, ao sonhar, dá um futuro à ação.” Imaginação que “quer sempre sonhar e compreender ao mesmo tempo, sonhar para melhor compreender, compreender para melhor sonhar.” (Bachelard)
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“O corpo tem seu lar na alma” (J. Hillman)
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2011 nasce num sábado, conduzido pelos braços de Oxum, ofertando o seu mel para quem mergulha fundo nas águas doces da alma e encontra aí os fundamentos das futuras realizações, alicerçadas nas forças que regem a Vida e o Amor...
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“... Na relação essas forças encontram um território para se afirmar e se expandir. O amor é o processo de construção desse território. Ele é uma oportunidade para intensificarmos nossa potência vital. No fundo, o amor verdadeiro é o amor pela vida em sua riqueza de invenção e transformação. Por isso quando ele acontece nos lança numa espécie de graça.” (S. Rolnik) .

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Que estejamos então à altura de nossas aspirações, conectando-nos com a dimensão do sagrado, para que o ouro conquistado através do trabalho de nossas mãos seja o correlato material do amor e sabedoria do coração, irradiando como um sol os fios que tecerão um novo amanhã!
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“O Sinal Que Eu Busco Tanto Encontrar No Fim Do Dia
Veio A Mim Neste Momento Como Um Aviso Da Alforria
Que Eu Recordo Foi Um Dia O Meu Sonho, Meu Alento
E Que Agora Constrói Tudo Sem Faltar Pedra E Cimento”
(
G. C. Oen Mantras para 2011)
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Eu preparei essa mensagem para você, em agradecimento por estarmos em contato, compartilhando preciosidades em 2010... que em 2011 tenhamos muito mais a compartilhar!!!


Minha programação de cursos para o primeiro semestre 2011!


TUDO PERFEITO E MARAVILHOSO 2011


AGORA EU CHEGUEI LÁ 2011
PROGRAMAÇÃO 2011

PRIMEIRO SEMESTRE

"A questão decisiva para um homem é: Ele está, ou não, ligado a algo infinito. Eis aí a pergunta mais significativa da sua vida." (C. G. JUNG)

MINI - CURSO (FÉRIAS) E CURSO SEMESTRAL (VERSÃO AMPLIADA):
MITOLOGIA GREGA, AMOR HUMANO E ARTETERAPIA:
Os deuses, o amor, a conjugalidade e a Arteterapia

"O trabalho de olhar está feito.
Que o coração trabalhe agora" (RILKE)


Nesse curso, que é vivencial e teórico,
trabalharemos com mitos (e recursos arteterapêuticos associados a eles) que nos ajudam a compreender o sentido e a importância do fluxo da energia amorosa e suas diferentes formas de expressão, como um atributo do Feminino a ser conjugado com o Masculino na co-criação da Vida, através de todas as nossas relações, gerando assim sabedoria, crescimento, criatividade, harmonia, arte!

Temas e mitos que serão abordados:

- Afrodite e o séquito de deusas que a acompanham (as Horas, a deusa Peito, Aidos e as 3 Graças ou Cárites)
- Eros (deus do amor, filho de Afrodite): o erotismo saudável e o resgate do prazer em todas as áreas da vida (na arte, no ensino, no trabalho, nos relacionamentos de maneira geral)
- Dioniso, deus do êxtase e do entusiasmo, e as semelhanças entre o seu mito e o de Cristo
- Phallos na Psicologia feminina e masculina
- As 9 Musas e sua relação com o resgate e a cura do Feminino ferido
- A abertura do coração, sexualidade sagrada e transcendêcia: aproximações entre o Ocidente e o Oriente

Quando:
- Mini curso de férias:
19, 20 e 21 de janeiro 2011 das 14:00 às 18:00 hs
Investimento:
320,00 à vista ou 2 parcelas de 170,00
(desconto de 15% para grupos de 4 ou mais pessoas)

CURSO SEMESTRAL:
MITOLOGIA ORIENTAL E ARTETERAPIA:
O Feminino, a Sexualidade Sagrada e a Individuação


"No amor, todas as coisas são renovadas. O prazer é o sorriso que o amor concede à mortalidade... A morte é uma ilusão. O mais próximo que ela chega da realidade é quando o amor está ausente."
(D. CHOPRA)

- Nesse curso, que é vivencial e teórico,
trabalharemos com contos e mitos orientais, enfocando princípios que norteiam as filosofias orientais e sua relação com o Feminino, a sexualidade e a individuação, mostrando como podemos trabalhar com os aspectos psicológicos relacionados a esses temas através da Arteterapia

Temas e mitos que serão abordados:

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Sherazade: o poder de tecer com palavras e o trabalho com o mito pessoal
- Shiva e Shakti: os chakras, o tantra e a expansão da consciência
- Yoga, Mudras e Meditação Zen: o alinhamento entre ego e Self e o acesso à Fonte
- A Dança do Ventre: o resgate do Feminino e o retorno da deusa
- A arte do êxtase: sexualidade sagrada e individuação

Quando:

Turma1: Segundas-feiras (quinzenalmente, ao todo serão 12 aulas), das 10 às 13hs Início: 14 de fevereiro
Turma2:
Quintas-feiras (quinzenalmente, ao todo serão 12 aulas), das 13:30 às 16:30hs Início: 10 de fevereiro
Investimento: 6 parcelas mensais de 150,00

LOCAL ONDE SERÃO DADOS TODOS OS CURSOS:
Rua Ministro de Godói, 1267, Perdizes – SP
Tel: (11) 3862-2411

Inscrições:
Preencha a ficha de inscrição (no final dessa post) e a envie pelo e-mail pat.pinna@uol.com.br para garantir a sua vaga!

Coordenação de todos os cursos:
Patrícia Pinna Bernardo
CRP: 06/16725 AATESP: 056/0905
http://www.patriciapinna.psc.br/
http://www.patriciapinna.blogspot.com/

Autora da coleção:
A PRÁTICA DA ARTETERAPIA: CORRELAÇÕES ENTRE TEMAS E RECURSOS
Vol I:
Temas centrais em Arteterapia, Vol II - Mitologia Indígena e Arteterapia: a arte de trilhar a Roda da Vida, Vol III Mitologia Africana e Arteterapia: a força dos elementos em nossa vida, Vol IV Arteterapia e Mitologia Criativa - orquestrando limiares, Vol V - A Alquimia nos Mitos e Contos e a Arteterapia: Criatividade, transformação e Individuação
(disponíveis para a venda, por enquanto, somente através do e-mail: pat.pinna@uol.com.br)

Coordenadora da Pós-graduação em Arteterapia e da Pós-graduação em Arteterapia Aplicada: saúde, artes, educação e organizações (UNIP). Psicóloga (USP) e Artista Plástica (FAAP), Pós-doutora em Mitologia Criativa e Arteterapia (FEUSP), Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), Mestre em Psicologia Clínica (PUC-SP), Arterapeuta e pesicoterapeuta, atuando há 28 anos com crianças, adolescentes e adultos em consultório, escolas e instituições. Professora Universitária em cursos de graduação e Pós há 16 anos (Psicologia, Pedagogia, Artes Plásticas, Musicoterapia, Arte-educação, Arteterapia). Supervisora de trabalhos clínicos e institucionais.

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FICHA DE INSCRIÇÃO

NOME:
ENDEREÇO:
TEL RES/COM:
CELULAR:
E- MAIL:
FORMAÇÃO:
ATUAÇÃO PROFISSIONAL ATUAL:
ASSINALE ABAIXO O(S) GRUPO(S) QUE FREQUENTARÁ:
( ) Mini Curso de Férias: Mitologia Grega, Amor Humano e Arteterapia - 19, 20 e 21 jan 2010 das 14 às 18hs
( ) Curo semestral: Mitologia Grega, Amor Humano e Arteterapia
2ª feira (10:00 às 13:00) - Início: 7 de fevereiro
( ) Curo semestral: Mitologia Oriental e Arteterapia:
( ) Turma 1 – 2ª feira (10:00 às 13:00) Início: 14 de fevereiro
( ) Turma 2 – 5ª feira (13:30 às 16:30) Início: 3 de fevereiro
( ) Turma 3 – 2ª feira (18:30 às 21:30) Início: 7 de fevereiro

Workshop de colagem na Pós em Arteterapia com Silvio Alvarez



Silvio nos deu a honra de, assim como o fez ano passado, compartilhar com os alunos da Pós em Arteterapia e Arteterapia Aplicada da UNIP (em 19/12) a sua belíssima arte (trabalhamos com mandalas, eu falei sobre o uso de mandalas em Arteterapia, e as diferentes técnicas de confecção de mandalas, e ele falou sobre a colagem e depois orientou os alunos sobre como fazer mandalas a partir da sua técnica de colagem). As suas obras e os projetos de que tem participado e coordenado podem ser vistos em seu site: http://www.silvioalvarez.com.br/

Eu conheci o Silvio pelo Orkut: uma amiga sua viu no meu álbum de fotos a colagem que eu fiz em meu piano (veja na foto à direitaa). Eu fiz essa colagem em 1998, após voltar de um workshop em Oaxaca - México, inspirando-me nas paisagens mexicanas e no tema da minha tese de doutorado, que eu estava escrevendo na época (os 4 elementos na Arteterapia e as bases da Arteterapia junguiana).
A amiga do Silvio provavelmente achou que eu trabalhava com colagens de uma forma muito parecida com a dele - uma espécie de pintura onde a tinta são os recortes de papel - e depois que ele viu o meu piano no meu álbum no Orkut, entrou em contato comigo e desde lá sempre trocamos figurinhas sobre colagem e Arteterapia...

A colagem é um recurso muito utilizado por mim nao só com os pacientes, mas também é um recurso que eu gosto muito de usar em meus trabalhos pessoais: já dei certa vez de presente para uma amiga um banquinho decupado com colagem (veja detalhe na foto ao lado), como o banco (abaixo) que eu tenho em casa, que estava detonado e assim eu o recuperei!
Também gosto de fazer painéis de colagem, como o que usei na capa do meu quarto livro, ou trabalhar em técnica mista com colagem e pintura.






















Mas a minha técnica é um pouco diferente da do Silvio, eu recorto com as mãos e ele com a tesoura, eu vou colando e criando ao mesmo tempo, e ele tem toda uma técnica para construir a figura e o fundo, e muitas vezes a moldura também, a partir de um projeto do qual ele já tem uma idéia (o meu processo parece ser mais intuitivo do que o dele, pois eu nunca penso antes como será o meu trabalho, ele vai nascendo das minhas mãos...).
Silvio já fez várias exposições de seu trabalho, sendo um artista reconhecido e comentado em mídia inclusive fora do Brasil, e tem participado de muitos projetos interessantes e importantes com colagem na comunidade e em diversas instituições e empresas, como vocês podem ver no site dele, no link: http://www.silvioalvarez.com.br/site/projetos
E no seu blog: http://silvioalvarez.blogspot.com/
Obrigada querido amigo Silvio, por compartilhar conosco sua linda arte!!!

(Abaixo 2 mandalas feitas pelos alunos da Pós)





















E essa (a do beija-flor) foi a mandala que eu fiz!

Palestra/Oficina sobre Arteterapia - Ciranda Viva

Dia 11/12 estive no projeto Ciranda Viva, que oferece suporte para o paciente com câncer - http://www.cirandaviva.com.br/ , dano uma palestra/oficina sobre Arteterapia (Arteterapia e Cuidados Paliativos). Faremos um convênio entre a Pós-graduação em Arteterapia da UNIP e o Ciranada Viva, para que a Arteterapia também seja oferecida, através do estágio dos meus alunos, como coadjuvante do paciente com câncer, o que muito me alegrou!
Sempre pensei nos recursos arteterapêuticos como "remédios doces", à semelhança dos procedimentos da "Doce medicina Indígena"... Por isso as minhas pesuisas sempre versaram, de uma forma ou de outra, a respeito da questão: remédio para que dores da alma e suas demandas é cada cada um dos recusrsos: desenhar, pintar, confeccionar umka moldura num espelho, etc., e encontro nas mitologias de diversos povos muitas referências que me ajudam a aprofundar o olhar sobre essas questões...
Agradeço Maria Lúcia Ferreira (coordenadora do projeto), à Patrícia (de quem partiu o convite, após uma aula minha na Pós em Cuidados Paliativos da FMUSP), e a todos os profissionais que estavam presentes o carinho com que fui recebida por todos, e a oportunidade de contribuir futuramente para um projeto tão importante e necessário à humanização da saúde!



Como está colocado no site do projeto Ciranda Viva:

"O projeto oferece grupos de suporte a crianças, adolescentes, pais, adultos, idosos, pacientes terminais em cuidados paliativos, familiares, cuidadores e grupos de enlutados. O nosso grupo é composto por profissionais da área de saúde, dentre eles: oncologistas, psico-oncologistas, psicólogos, professores de Educação Física, arteterapeutas, musicoterapeutas e odontologistas especializados em Oncologia. Desenvolvemos também um núcleo de terapias complementares para o atendimento ao paciente com dor, com técnicas de várias abordagens da área da saúde em Psico-oncologia.As técnicas utilizadas são: vivências práticas, relaxamento, visualização, imagens dirigidas, técnicas expressivas (música, sons, pintura, modelagem, teatro terapêutico, danças circulares), meditação, eutonia, movimentos e alongamento especializados, sempre visando à qualidade de vida do paciente.As atividades realizadas nos grupos de suporte são de caráter multidisciplinar e propiciam a troca de experiências, uma rede de apoio, que trabalha com a depressão, a dor, a angústia, os medos, tendo como objetivo a qualidade de vida do paciente, o desenvolvimento de novas formas de se expressar na vida e a inter-relação entre os membros do grupo. "





23/12/2010

Que você tenha um lindo Natal! E convide sua criança a festejar com você o milagre da Vida!

"O futuro nascimento da criança divina que, em conformidade com a divina tendência à encarnação, escolherá como lugar de seu nascimento o homem empírico ...(Este) processo metafísico é conhecido na psicologia do inconsciente como processo de individuação" (Jung)

Em todos os meus 5 livros, faço agradecimentos ou dedicatória às crianças, e o Natal existe por elas e para elas!!!
Trancrevo então aqui a dedicatória do meu livro 4 a elas: "às crianças, que revelam em seu olhar e em seu sorriso a face mais bela do Criador. Que elas sempre possam estar protegidas e cobertas pelo manto da divina Graça, e serem tratadas com amor e respeito pelos adultos que a cercam, que deveriam reconhecer nelas os seus mais sábios e prestimosos mestres".
Dedico o meu Natal a elas, que (como escrevo nos agradecimentos do meu livro 1): "com seu sorriso generoso, seu coração sempre aberto e seu olhar brilhante me mostram que a voda pode ser bela, leve, alegre e divertida...
Que Deus as abençoe sempre!"
________________
“Se quisermos festejar o Natal
De modo cristão,
deveá existir
Em nós próprios um
Pastor e um Rei.

Um Pastor que ouve o que outras
Pessoas não ouvem, e que
Com todas as formas de dedicação
More logo abaixo do céu estrelado;
A esse Pastor, anjos anseiam por
Revelar-se.
_
E um Rei que distribua dádivas;
Que não se deixa guiar por nada mais
A não ser pela estrela das alturas.
E que se põe a caminho,
Para ofertar todas as suas dádivas
Ao pé de uma manjedoura.
_
Mas além do Pastor e do Rei
Deverá existir também em nós, uma
Criança
Que quer nascer agora!”

(R. Steiner)

15/12/2010

Oficina Alquimia e Arteterapia - Congresso Nordestino de Arteterapia 2010

Como coloco no meu livro Vol V: A Alquimia nos Contos e Mitos e a Arteterapia:

"Essa vivência foi inspirada na pedra filosofal da alquimia, associada ao que Sams (1997) coloca sobre o que a “sacola de talismãs” significava para os indígenas norte-americanos: ela acondiciona objetos que representam Totens de Animais de Poder ou Guias da Natureza, e que possuem um significado especial para quem os possui. Sams relata que existiam diversos tipos dessas sacolas, as quais podiam ser usadas em diversas situações: “Sacolas para a Cura Pessoal, Sacolas Tribais, Sacolas de Guerreiros, Sacolas da Dança do Sol, Sacolas de Parto, Sacolas de Caça, Sacolas de Sonho e Sacolas de Visão. Algumas eram fabricadas por um xamã ou por uma mulher-xamã, atendendo a necessidades especiais, enquanto outras podiam ser fabricadas até mesmo pelos seus próprios donos” (1997, p. 241).
Essas sacolas representam a sabedoria ancestral, atualizada através do contato com o nosso guia interno, o(a) Velho(a) Sábio(a) em nós, constituindo-se num dos símbolos do Self, assim como o é a pedra. "



ALQUIMIA

Hoje você veste azul, e eu vou ao seu encontro de vermelho,
pronta prá morrer (e renascer!) em seus braços,
mas também absolutamente dona de mim,
responsável pelo que sou e pelo que não sou.
Minha água é limpa e meu lago é profundo,
a vegetação é densa e há vida por toda parte...

No meio do caminho, vou encontrando pedras,
e sei, com a sabedoria das vidas que já vivi,
e de outras que me contam as coisas
(que os ventos sopram em meus ouvidos),
que o meu pote de ouro vai se formando
a partir das pedras que acolho em meu cesto de cipó –
sabia que tenho vocação para alquimista?

Para saber isso basta enxergar
(e isso eu já nasci sabendo)
a árvore dentro da semente, a luz dentro do escuro.
Mas prá fazer isso já é outra história...
Tem a calcinatio, a solutio, a sublimatio, a coagulatio...
um monte de vezes a gente morre e renasce,
até se estar muito purificado.

Depois de muitos banhos: de água, de fogo,
Depois de ficar leve como o vento, planar horizontes,
tocar o chão com a palma da mão,
rolar nas folhas e se banhar na lama,
curvar-se sobre si mesmo e beijar o próprio coração, a gente se casa...

E estamos aqui, brincando de tirar os 7 véus
(e os que nós ainda colocamos sobre esses)
para enfim descobrir que viver é um pouco brincar
de esconde-esconde, se perder e se achar,
até cansar e descobrir que se somos luz, podemos mesmo atravessar portais, e alcançar o que parece muito, muito longe...
(Patrícia Pinna Bernardo, 1995)

01/12/2010

11/12 - Sarau e bazar de Natal, estão todos convidados!!!

11/12 (sábado) - a partir das 20hs:
SARAU E BAZAR DE NATAL
(Rua Ministro de Godói, 1267)

Venha compartilhar os seus talentos e viver momentos prá lá de especiais no último sarau do ano – como sempre com apresentações musicais, performances teatrais, e o que mais quiserem apresentar! Além disso, você poderá ainda, se quiser, fazer boas compras: estarão à venda objetos confeccionados por projetos sociais e mãos arteiras e tecelãs da melhor qualidade - cerâmicas, quadros, feltragens, livros (os meus e de outros autores sobre Arteterapia)... e muito mais, com muita alegria e criatividade!
Traga o que você quiser beber, um prato de comida e 1 quilo de alimentos não perecíveis (que serão doados para um orfanato e um abrigo), assim não faltará comida nem bebida para ninguém, além de ajudarmos, com as doações, a fazer o natal das crianças um pouco mais feliz, prenunciando um 2011 próspero para todos!!!
.
"Ó Nossa Mãe Terra, Ó Nosso Pai Céu
Nós somos as suas crianças e com as costas cansadas
Carregamos os seus amados presentes.
Por isso teçam para nós o manto da luminosidade
E que a urdidura seja a branca luz da manhã
Que a linha seja a luz vermelha do entardecer
Que a franja seja o cair da chuva
Que a bainha seja o arco-íris.
Portanto teçam para nós o manto da luminosidade
Para andarmos em equilíbrio lá onde a grama é verde
Ó Nossa Mãe Terra, Ó Nosso Pai Céu."
(prece Tewe)

29/11/2010

A Mulher, a Consciência Lunar e a Coniunctio


Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher
que ao vê-la nua no quarto
pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde:
os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
__
O homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.
(Bruna Lombardi)
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Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime

dela ser uma mulher que goza
você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.
É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa
Atravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos

e já não teme nada
retorna inteira,
maior, mais larga
absolutamente poderosa.
(Bruna Lombardi)
___________________________________
"Nos rituais e nos cultos, a espera e a expectativa são idênticas ao ato de circundar e a circum-ambulação. (…). De maneira semelhante, nos mistérios primordiais da mulher, ou seja, no processo de ferver, cozer, fermentar, assar, o amadurecimento, “o ponto”, e a transformação estão sempre ligados com um período de espera. O ego da consciência matriarcal costuma permanecer quieto até que o tempo seja favorável, até que o processo esteja completo, até que o fruto da arvore lunar tenha amadurecimento e ficado como uma lua cheia, isto é, até que a compreensão tenha nascido do inconsciente. Porque a lua não é somente senhora do nascimento, mas também, enquanto arvore lunar e arvore da vida, um crescimento em si, “o fruto que gera a si mesmo”.
(…)
Mas esse simbolismo feminino não para aqui, porque o que entrou tem que “vir a luz”. A frase “vir à luz” expressa maravilhosamente o duplo aspecto da consciência matriarcal, que experimenta a luz da consciência como a semente que brotou.
__________________________ _______________________________________________
O tempo qualitativo matriarcal é sempre uma ocorrência única e singular, como uma gravidez, em contraste com o tempo quantitativo da consciência patriarcal. Porque, para a consciência patriarcal de ego, todas as subdivisões do tempo são iguais; mas a consciência matriarcal aprendeu, a partir do ritmo do tempo lunar, a conhecer a individualidade do tempo cósmico, senão a do ego. A singularidade e a indestrutibilidade do tempo são consteladas aos olhos daqueles preparados para perceber o crescimento das coisas vivas, capazes de experimentar e de perceber a gravidez de um momento e a proximidade de um nascimento. (…).
Em conseqüência, a linguagem do simbolismo situaria, como regra, a consciência matriarcal não na cabeça mas no coração. Aqui, entendimento significa também um ato de sentimento inclusivo e freqüentemente esse ato – como, por exemplo no trabalho criativo – tem que ser acompanhado da mais intensa participação afetiva, se é algo que deve sobressair-se e lançar luz. (...)
_________________________________________________________
Não é sob os raios causticantes do sol mas na fria luz refletida da lua, quando a escuridão da inconsciência atinge sua plenitude, que o processo criativo se completa: a noite, e não o dia, é que é o momento da procriação. Esta requer escuridão e quietude, segredo, mudez e ocultamento. Em conseqüência, a lua é senhora da vida e do crescimento em oposição ao sol letal e devorador. O tempo úmido da noite é o tempo do sono, mas também da cura e de recuperação. (…). É o poder regenerador do inconsciente que na escuridão noturna sob a luz da lua executa seu trabalho, um mysterium dentro de um mysterium, trabalhando a partir de si mesmo e da natureza, sem qualquer ajuda do ego cerebral. É por isso que as pílulas e as ervas curativas são associadas à lua e seus segredos guardados por mulheres, ou melhor, pela natureza feminina, que está ligada à lua.
(...)
Tanto para o masculino como para o feminino, a totalidade só é atingível quando, numa união dos opostos, o dia e a noite, o mais alto e o mais baixo, as consciências patriarcal e matriarcal, chegam ao seu próprio modo de produtividade e mutuamente se complementam, fertilizando um ao outro.” (E. Neumann – “A Lua e a Consciência Matriarcal”)

28/11/2010

Uma abordagem circular do conhecimento na formação do arteterapeuta - momentos especiais vivenciados na Pós em Arteterapia da UNIP/2010!


“Educar não será reprimir, mas ao contrário exprimir, liberar. Também não é imprimir, mas ao contrário, fazer brotar, fazer emergir... Menos ainda seria formar, impondo uma forma; ao contrário, seria desentranhar do mais fundo do ser a sua própria forma. Com efeito, o verbo educar vem do latim educere, e significa tirar fora, levar fora, extrair, desentranhar. Educar o homem significa portanto desentranhar a forma humana de dentro do prórpio homem, extraindo e revelando a sua própria e íntima essência.” (Ysé Tardan-Masquelier


UMA ABORDAGEM CIRCULAR DO CONHECIMENTO NA FORMAÇÃO DO ARTETERAPEUTA
(poster feito a 3 mãos: eu, Lídia e Oneide, sobre a proposta da Pós em Arteterapia da UNIP, que ganhou um prêmio no Congresso Brasileiro de Arteterapia que aconteceu na UNIP em 10/2010)

A interação com os aspectos simbólicos relacionados aos 4 elementos e às 4 funções da consciência: Pensamento, Sentimento, Intuição, Sensação, através de atividades expressivas, realizadas no contexto pedagógico, promove o crescimento global do aluno, bem como uma aprendizagem significativa.
Tendo isso em vista, numa Pós-graduação em Arteterapia, é imprescindível que as disciplinas ministradas possam contemplar os vários aspectos do ser humano, buscando-se um equilíbrio entre essas 4 funções em sua Proposta Pedagógica, instaurando-se um diálogo interdisciplinar que não perde de vista o ser humano em sua integralidade e singularidade.
Com isso, ao final do curso (incluindo a prática supervisionada), espera-se que o aluno possa sintetizar o que foi vivenciado, aplicado e aprendido em sua produção científica, integrando teoria e prática numa atuação que envolva tanto uma visão ampla e aprofundada dos recursos que poderá utilizar em seu trabalho quanto condições de aplicá-los com ética e preparo emocional para tal (sendo essa a nossa proposta e prática na Pós-graduação em Arteterapia e em Arteterapia Aplicada da UNIP).
Do ponto de vista da Psicologia Simbólica junguiana, psique e mundo são instâncias indissociáveis: a nossa psique é a via de acesso a todo conhecimento. Como a consciência nasce do substrato inconsciente que está na base da realidade contextualizada, não pode ser desconectada do tecido coletivo que lhe deu origem, pois é nele que está enraizada, extraindo dessa dimensão o alimento, em forma de energia psíquica veiculada pelos símbolos, para constituir-se e expandir-se.
Por isso, os conteúdos teóricos abordados na formação do arteterapeuta podem e devem ter o seu potencial simbólico resgatado, conjugando razão e emoção, teoria e prática, na criação de um conhecimento integrado ao autoconhecimento, útil e compromissado com a vida.
O conhecimento que inclui em sua perspectiva a dimensão simbólica da existência e abarca sua multiplicidade, ganha ao mesmo tempo densidade e leveza, clareza e mistério, simplicidade e complexidade, e acima de tudo vida, sensualidade, profundidade, sabor, perfume e cor, consistindo-se numa revelação da sabedoria da psique.
Quando compreendemos que somos parte de um grande tecido cósmico, podemos participar com consciência e ética da sua confecção, colocando assim a Arte a serviço da Vida, o que se traduz na prática da Arteterapia...
“Isto se ensina? Não. Se em-sina... Com o testemunho autêntico de nossa presença humana, ajudando o outro a colocar-se em sua própria sina, a cumprir a sua própria destinação...
Mistério? Sim. Isso não se esclarece... se profundiza.”
(Marcos Ferreira Santos)

25/11/2010

A teia da aranha (e a Dimensão dos Sonhos)


A teia de aranha tem um significado muito especial para mim, já que as aranhas estão simbolicamente relacionadas à criatividade e às histórias, que sempre estiveram presentes em minha vida... E não é que no outro dia, ao entrar no meu carro de manhã para ir ao consultório, me deparo com uma teia de aranha (com a aranha em seu centro) confeccionada provavelmente na penumbra da noite, belamente tecida como uma mandala (dá para ver bem a sua teia na foto acima)!!! Eu ia dirigindo (pois só vi a aranha depois que já estava com o carro andando), com a teia bem ao meu lado, perto do câmbio de marchas, e conversando com a aranha:
.
-Querida aranha, a sua teia é linda, e você sabe que admiro as aranhas por isso, pelo seu belo trabalho e pelo que ele simboliza: a "teia da vida" e de nossas relações... mas por favor, fique aí, não pule em mim, e me perdoe porque eu vou precisar tirar você e a sua teia do meu carro quando eu chegar ao consultório!
.
(E é claro que antes de retirar a aranha, me desculpando por desmanchar a sua primorosa teia, eu a fotografei - por sorte eu estava com a máquina em minha bolsa, pois era dia de curso e eu sempre levo a máquina para tirar fotos dos trabalhos dos alunos).

Imaginem a cena!!! Se meu filho estivesse no carro, ele diria (como tantas vezes o fez diante de situações assim, quando eu converso com plantas e até quando chego a pedir desculpas a uma porta por batê-la muito forte sem querer): "Mãe, conversando com uma aranha? De que mundo você é?!?"
Mas ao mesmo tempo, que bênção ter esse olhar para o mundo, e saborear momentos como esse: uma aranha fez umna teia em meu carro, uma mandala viva cheia de significados, a Natureza dialogando comigo! Me senti honrada por isso...

Tem um conto africano que diz que foi uma aranha que trouxe o baú de hostórias do céu para a terra, compartilhando essas histórias com os homens... O nome dessa aranha (que no conto é do sexo masculino) é Anansi, que foi escolhido por Deus para receber esse baú depois de fazer o que Deus lhe ordenau, tarefas consideradas impossíveis de serem realizadas (como as 4 tarefas no conto Eros e Psiqué), mas que foram cumpridas com a ajuda da aranha esposa de Anansi, pois era ela - a sabedoria do Feminino - quem lhe inspirava sobre como deveria proceder para conseguir realizá-las (na versão do livro ao lado também são 4 tarefas). Em algumas versões, ele vivia como um humano antes de se transformar em aranha. As tarefas pedidas também variam nas várias versões.
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Segundo Sams (Cartas Xamânicas), foi a aranha quem trouxe as letras e com elas formou o alfabeto, para que os homens pudessem escrever as suas histórias. Encontramos ainda nas culturas indígenas a idéia do filtro dos sonhos, inspirado nas teias das aranhas, mandala de cura e que nos coloca em contato com a "Dimensão dos Sonhos", onde dormitam as possibilidades ainda não trazidas para a realidade...

A teia de aranha relaciona-se tembém, pois todo símbolo tem a sua face e dorso, às ilusões com as quais revestimos a realidade enquanto não somos capazes de enxergá-la para além do visível (o que é um dom dos visionários). Por isso a deusa hindu Maya tece véus que a encobrem, para que aguentemos olhar para ela sem nos despedaçarmos pela visão de sua magnitude. Mas ao mesmo tempo, é uma deusa ligada ao Feminino e à matéria: a mulher tece em seu útero as vestes que revestirá, em forma de um corpo, a alma de um novo ser!
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Como coloco no meu livro II: Mitologia Indígena e Arteterapia, "a atividade de tecer é em várias culturas um atributo do feminino, relacionando-se com a criação, com o nosso destino, com as histórias que vivenciamos ao longo de nossas vidas (...) De acordo com Chevalier e Gheerbrant (1993), na África do Norte (...) 'o trabalho de tecelagem é um trabalho de criação, um parto. Quando o tecido está pronto o tecelão corta os fios que o prendem ao tear, e ao fazê-lo, pronuncia a fórmula de bênção que diz a parteira ao cortar o cordão umbilical do recém-nascido. Tudo se passa como se a tecelagem traduzisse em linguagem simples uma anatomina misteriosa do homem.'"
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Na mitologia grega, temos as Moîras (tecelãs do destino), e Aracne, transformada em aranha por Atená ao desrespeitar os deuses em um de seus bordados numa competição que insistiu em ter com Atená: o seu bordado tinha uma técnica impecável, mas faltava-lhe a humildade, sem a qual nenhum conhecimento pode transfromar-se em sabedoria, faltava-lhe reconhecer que é o divino em nós que nos faz criar, e saber honrar isso (Jung dia que a criação é um grande mistério, e que os mistérios não se explicam), é através de nossa humilde (a palavra humildade vem de húmus, que é matéria orgânica depositada no solo) humanidade que podemos nos colocar a serviço dos deuses, trazendo um pouco mais de luz, assim, ao mundo através das nossas ações, das nossas criações... Aliás, foi Atená quem ensinou aos homens a arte de bordar.
Encontramos também na mitologia grega o fio de Ariadne, que com ele permitiu que Teseu entrasse e saísse do labirinto (onde estava o minotauro) sem se perder, e o manto tecido de dia e desfeito de noite por Penélope, enquanto esperava pela volta de Ulisses...
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Uma história sobre mulheres tecelãs que merece ser contada aqui com mais detalhes, em outra oportunidade, é a de Sherazade, que tecia com palavras, através de suas histórias, a teia de sua relação com o sultão, curando-o da ferida aberta pela traição através de seu amor e de seus contos...
Segundo Adélia Bezerra de Meneses, que faz uma profunda e sensível análise dessa história, "Sherazade oferece ao sultão uma linguagem, um discurso simbólico que possa atingi-lo, por inteiriçado e crispado que ele estivesse na sua incapacidade afetiva. Ela oferece ao sultão o acesso ao mundo simbólico; oferta-lhe uma linguagem, como queria Lévi-Strauss, "na qual podem exprimir-se estados não formulados e, de outro modo, não formuláveis". "Não é portentoso que na noite 602, o rei Xariar ouça da boca da rainha a sua própria história?", pergunta-se Jorge Luís Borges extasiado.
Sherazade apresenta a Xariar o nível mítico: apresenta-lhe à consciência conflitos que o traumatizaram, bloqueando sua capacidade afetiva, de tal maneira que ele possa lidar com eles. É por isso que ela não expurga de suas narrativas as histórias de adultérios e traições femininas, não omite casos em que as mulheres enganam a seus maridos; ela não faz ao rei uma narrativa "ad usum delphini"; é notável a ausência de censura moral nas suas histórias.
Trata-se aqui, como na psicanálise, (e na cura chamanística), de propiciar uma transformação interior, consistindo numa reorganização estrutural da personalidade: trata-se de recuperar a capacidade amorosa do sultão. Pois bem, Sheherazade, como na transferência, propicia ao sultão que reviva com ela uma experiência afetiva continuada e para isso ela precisava de tempo (a saber: 1001 noites -o tempo de uma terapia?) e assim resgata sua capacidade afetiva (...) Não nos podemos esquecer de que as narrativas de Sheherazade se seguiam às suas noites de amor com o sultão e são suas histórias que lhe facultam a possibilidade de dormir próxima noite com ele. É a narrativa que possibilita o encontro futuro. Já se disse que se Sheherazade tivesse oferecido ao sultão só o seu corpo, ela teria sido executa­da, logo após a primeira noite: foi o que, todas as suas antecessoras fizeram, e todas pereceram. E Sheherazade salva não apenas a si própria e a todas as mulheres em idade de casar do seu povo: ela salva também o sultão: ela o cura de sua ira patológica e assassina, e possibilita a ele uma descendência. A persistir no seu plano cruel e ginecida, o sultão se privaria para sempre de amar, e de filhos. Sheherazade oferece a ele o tempo e, junto com as suas histórias, a História; oferece a ele o tempo, e, junto com ele, as coisas todas que dele precisam para se engendrarem: os filhos, a duração do afeto, a permanência de vínculos, o longo processo (analítico) de uma cura. Sheherazade oferece ao sultão um discurso vivo.
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Resta ainda lembrar do filme "A colcha de retalhos" (quem ainda não assistiu, assista!), em que um grupo de mulheres faz uma colcha de retalhos para a neta de uma delas, que vai se casar, inspirando-se no tema: "Onde mora o amor", e ao fazê-la, cada uma dessas mulheres vai contando a sua história de vida para essa neta, que está ao mesmo tempo recolhendo essas histórias para a sua dissertação de mestrado, sobre o tema: "quando mulheres se reúnem para fazer um trabalho manual, isso é uma espécie de ritual" - e é claro que nesse processo de criação, essas mulheres vão revendo as suas vidas, passando por um processo de transformação!
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Esse filme nos remete a um conto tibetano: "O Quadro de Pano", do qual fiz a interpretação simbólica na minha dissertação de mestrado, para trabalhar a compreensão do processo criativo, e que está no meu quinto livro (A Alquimia nos contos e mitos e a Arteterapia), quando falo da multiplicatio na alquimia, que consiste no efeito reverberante e multiplicador da pedra filosofal (como o milagre da multiplicação dos peixes), mostrando que a vivência de processos criadores, além de nos transformar, se estende para o mundo através de todas as nossas relações, transformando-o também. Nesse conto, uma vivúva tece um quadro em que representa a sua aldeia como gostaria que ela fosse (bela e próspera), e ao final de muitas aventuras, com a ajuda das fadas, toda a aldeia se transforma no quadro tecido pela viúva... Uma versão infantil desse conto está no livro: O Bordado Encantado. _

Sendo assim, com tanta beleza contida no simbolismo da teia da aranha tecelã, em tantas esferas diferentes, como eu poderia deixar de me encantar e de me sentir grata ao Universo por um encontro tão especial, como esse encontro vivido com uma aranha que fez inusitadamente a sua teia em meu carro, durante a noite? A viúva do conto O Quadro de Pano também teceu todo o seu quadro à noite, à luz de uma tocha...
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Se a foto acima se referir mesmo ao Universo, não é impressionante a semelhança entre essa teia e a da aranha no meu carro (bem como a de todas as aranhas que tecem com fios de luz a aurora de uma nova manhã)? Jung explica...

24/11/2010

Eros e Psiqué

Ai de nós, mulheres Psiqué, à espera do arrebatamento de Eros para que ele, com suas flechas, abra brechas por onde o encanto e o deleite se derramem sobre nossa vida cotidiana, e a faça bela...
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"Psiquê ... não está apta para um viver convencional. Parece que não foi feita para a mediocridade. Não lhe interessa um cotidiano enfadonho, insosso e doentio. Espera por outros desígnios... Psiquê é então um paradoxo: é especial e simples. ... Ao que parece isso é essencial em Psiquê: a necessidade de eleger o psíquico na vida comum e habitual" (López-Pedrosa, em seu livro: "Sobre Eros e Psiquê)
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O conto Eros e Psiqué, segundo versão de Junito Brandão, recontada no meu livro (Vol V da Coleção: A Prática da Arteterapia): A Alquimia nos Contos e Mitos e a Arteterapia (p. 116 a 119):
_"Num reino distante, um rei tinha três filhas. A mais nova, Psiqué, era tão linda que começou a ser considerada uma nova Afrodite, deusa grega do amor e da beleza, e a ser adorada como uma deusa. Diziam que Psiqué nasceu de uma gota de orvalho que caiu sobre a terra. Enquanto suas irmãs se casaram, Psiqué continuava solteira, sem pretendentes, sendo só idolatrada pelos homens, e sendo por isso alvo da preocupação de seus pais, que consultaram um oráculo que era dominado por Afrodite. Afrodite estava furiosa pelo fato dos homens estarem adorando Psiqué como se ela fosse uma nova Afrodite, e resolveu se vingar dela. Disse através do oráculo, aos pais de Psqué, que eles deveriam acorrentá-la a um penhasco para que ela desposasse a mais horrenda e repulsiva criatura, a Morte. E os pais assim o fizeram, por insistência da própria Psique, que decidiu se sacrificar pelo bem de todo o reino, já que era isso o que o oráculo prescreveu que deveria ser feito.
Para destruir Psiqué, Afrodite pede a ajuda de seu filho, Eros, o deus do amor, solicitando que ele faça com que Psiqué se apaixone pelo monstro que virá buscá-la, mas ao ver Psiqué, Eros acidentalmente espeta os dedos em uma de suas flechas, e se apaixona por ela. Eros decide então desposá-la e pede ao vento Zéfiro que a leve ao Vale do Paraíso. Lá Psiqué vive num palácio de pedras preciosas, todos os seus desejos são prontamente atendidos, e todas as noites ela recebe a visita de Eros, que se deita com ela. Mas Eros coloca a ela a condição de não vê-lo nem fazer-lhe perguntas.
As irmãs de Psiqué ouvem boatos sobre a vida da irmã, e movidas pela inveja chamam por ela e pedem que ela as receba. Psiqué consegue a permissão de Eros para ver suas irmãs, já que se sente muito sozinha em seu palácio, e as irmãs a convencem de que ela está casada com um monstro horrível, e que deve à noite apunhalá-lo para salvar sua vida. Munida então com um candeeiro e uma faca, Psiqué, convencida de que se casara com um monstro, vê a face de Eros ao acender a lâmpada, ficando tão encantada com a sua beleza que se inclina para beijá-lo. Nisso uma gota de óleo do candeeiro cai sobre Eros, ferindo-o e acordando-o, e Psiqué se fere acidentalmente em uma de suas flechas, apaixonando-se por ele. Eros sai de lá, dizendo a Psiqué que ela havia quebrado o acordo que tinham feito, ela o havia traído, e vai cuidar do seu ferimento junto de sua mãe, Afrodite.
Psiqué, apaixonada e desesperada, aconselhada por Pã, implora à Afrodite sua ajuda para reencontrar Eros. Afrodite aceita ajudá-la desde que realize uma tarefa: separar por espécie grãos e sementes que enchem um cômodo, em apenas uma noite. Psiqué, ajudada pelas formigas que andavam por lá e se compadeceram dela, realiza a tarefa, e Afrodite, não se conformando com o fato dela ter realizado o que nenhum mortal poderia ter feito em tão pouco tempo, lhe dita outra tarefa: trazer-lhe flocos de lã de carneiros do sol, que eram selvagens e ferozes. Mais uma vez, ajudada agora pelos sábios conselhos de juncos à beira de um rio, no qual pensa em se atirar para se matar (já que morreria de qualquer jeito se tentasse se aproximar dos carneiros ferozes), ela consegue colher os flocos de lã que ficaram presos em galhos de árvores, ao entardecer, quando os carneiros recolheram-se para descansar e dormir.
Não satisfeita Afrodite decreta-lhe a terceira tarefa: encher uma taça de cristal com a água do Estige, um rio que nasce no alto de uma montanha, desaparece sob o solo e reaparece na montanha. Mais uma vez Psique realiza a tarefa, dessa vez ajudada pela águia de Zeus, que voando enche a taça e a traz para Psiqué. Diante disso Afrodite dá ainda a Psiqué uma quarta tarefa, desconfiando que tenha sido ela a realizadora das outras três: ela deverá descer ao reino dos mortos e pegar com Perséfone, a rainha do Hades, uma caixa que conteria a beleza imortal, trazendo-a para Afrodite. Dessa vez ela foi ajudada por uma torre, na qual subiu para se atirar de lá de cima e se matar, já que a única maneira de entrar no reino dos mortos e encontrar Perséfone seria morrendo... mas a torre orienta Psiqué com relação ao que deve ou não fazer através dessa travessia. Psiqué pega a caixa, só que, antes de retornar, resolve abrir a caixa para ficar bonita para Eros, afinal ela quer que o amado a veja bela! Ao abri-la, Psiqué cai desfalecida e é salva por Eros, que a leva para o Olimpo e lá se casa com ela, imortalizando-a. Psiqué estava grávida e dá à luz a uma filha, Volúpia."
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Sobre o caminho percorrido por Psiqué para reencontrar Eros, Neumann comenta:
“Esse tipo de desenvolvimento em que a espontaneidade de Psiqué e sua energia vital orientadora dá o exantema e determina a vida do homem, é conhecido tanto na psicologia do ser humano criativo como na psicologia da individuação. Em todos esses processos, em que a psique dirige e o masculino obedece, o eu desiste do seu papel de líder e é orientado pela totalidade. No caso do desenvolvimento psíquico, no qual o não-eu, o Self, comprova ser o centro, trata-se de um processo de criação e de um processo de iniciação num só processo”
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EROS E PSIQUÊ
(Fernando Pessoa)




Conta a lenda que dormia
Uma princesa encantada
A quem só despertaria
O infante, que viria
De além do muro da estrada.
.Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado,
Por o que à Princesa vem.
.A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
.Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
.Mas cada um cumpre o destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
.E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
-E, inda tonto do que houvera,
À cabeça em maresia,
Ergue a mão e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

23/11/2010

Pós-graduação em Arteterapia e em Arteterapia Aplicada - UNIP


"A natureza nos servirá de guia, e a função do terapeuta será
muito mais desenvolver os germes criativos existentes
dentro do paciente do que propriamente tratá-lo."
(C. G. Jung)


Para fazer a inscrição na Pós em Arteterapia (1 ano) ou em Arteterapia Aplicada (2 anos), que deverá ser feita on line, é só acessar o link:
Arteterapia:
http://www.posunip.com.br/interno/curso_detalhe.php?curso=96101&modalidade=Presencial&estado=SP&cidade=SAO+PAULO
Arteterapia Aplicada: http://www.posunip.com.br/interno/curso_detalhe.php?curso=10085&modalidade=Presencial&estado=SP&cidade=SAO+PAULO
Veja mais onformações e os programas dessas 2 Pós em:
http://patriciapinna.blogspot.com.br/p/pos-grad-arteterapia.html
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Coordenar a Pós em Arteterapia e em Arteterapia Aplicada na UNIP tem sido um grande prazer, e dar aulas lá é sempre uma grande alegria!Acompanhar o passo a passo da formação de futuros arteterapeutas é um processo de aprendizado contínuo sobre as preciosidades com que o nosso inconsciente nos brinda quando nos abrimos ao diálogo respeitoso e amoroso com a sabedoria de nossa psique...


"Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas: que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo"


“A gestação de uma obra é como a interação com uma pessoa que desejamos conhecer. Iniciamos um diálogo com nossa criação ainda por nascer. Podemos fazer-lhe perguntas, e ela nos dará respostas inteligíveis.
Como no amor, o compromisso com o ato criativo é o compromisso com o desconhecido - não apenas o desconhecido, mas o incognoscível. Esse desejo é mais do que alegria ou prazer, é o contato com o desconhecido. O Desejo faz a obra crescer fora de nós para poder se ver. Ultrapassamos os limites conhecidos do nosso ser para incorporar o Outro, para tocar, sentir, remoldar, rejuvenescer, criar uma vida nova...” (S. Nachmanovitch)



"Trazer nossa psicomitologia pessoal à tona é o processo de lembrar e recordar a sabedoria e o amor que nos são inerentes e naturais, por meio de nossos sonhos acordados ou mito. Através das imagens ... a psique fará refletir de volta a orientação ou o trabalho de cura de que necessitamos."
(A. Arrien)



“À medida que a consciência vai se estruturando e se expandindo, não ocorre um distanciamento de sua fonte, o inconsciente. Como é a partir dele e da relação incessante com ele que ela se constitui, estabelece e expande, necessita ela sempre a ele retornar, para se realimentar, para não perder sua conexão vital”
(Laura V. de Freitas)
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"Um habitante do Cairo sonha que uma voz lhe diz, em sonhos, para ir à cidade de Isfajã, na Pérsia, onde encontrará um tesouro. Ele enfrenta a longa e perigosa viagem até Isfajã, onde chega esgotado e se deita no pátio de uma mesquita, para descansar. Não sabe que está no meio de ladrões. Mais tarde, são todos presos. O egípcio lhe conta sua história. O cádi tem um ataque de riso e responde: “Homem ingênuo e sem juízo, por três vezes sonhei com uma casa no Cairo; ao fundo há um jardim e, no jardim, um relógio de sol, além de uma fonte e uma figueira; sob a fonte há um tesouro escondido; jamais acreditei nessa mentira;. Não apareça mais em Isfajã. Tome esta moeda e vá embora”. O outro voltou ao Cairo. Tinha reconhecido sua própria casa, no sonho do cádi. Ao chegar, estava embaixo da fonte e encontra o tesouro." (Jorge Luis Borges)















Se quiser mais informações, me escreva: pat.pinna@uol.com.br