"Que te devolvam a alma homem do nosso tempo. Pede isso a Deus ou às coisas que acreditas: à terra, às águas, à noite desmedida. Uiva se quiseres, ao teu próprio ventre se é ele quem comanda a tua vida, não importa... Pede à mulher, àquela que foi noiva, à que se fez amiga. Abre a tua boca, ulula, pede à chuva. Ruge como se tivesses no peito uma enorme ferida, escancara a tua boca, regouga: A ALMA. A ALMA DE VOLTA." (Hilda Hilst)

15/12/2010

Oficina Alquimia e Arteterapia - Congresso Nordestino de Arteterapia 2010

Como coloco no meu livro Vol V: A Alquimia nos Contos e Mitos e a Arteterapia:

"Essa vivência foi inspirada na pedra filosofal da alquimia, associada ao que Sams (1997) coloca sobre o que a “sacola de talismãs” significava para os indígenas norte-americanos: ela acondiciona objetos que representam Totens de Animais de Poder ou Guias da Natureza, e que possuem um significado especial para quem os possui. Sams relata que existiam diversos tipos dessas sacolas, as quais podiam ser usadas em diversas situações: “Sacolas para a Cura Pessoal, Sacolas Tribais, Sacolas de Guerreiros, Sacolas da Dança do Sol, Sacolas de Parto, Sacolas de Caça, Sacolas de Sonho e Sacolas de Visão. Algumas eram fabricadas por um xamã ou por uma mulher-xamã, atendendo a necessidades especiais, enquanto outras podiam ser fabricadas até mesmo pelos seus próprios donos” (1997, p. 241).
Essas sacolas representam a sabedoria ancestral, atualizada através do contato com o nosso guia interno, o(a) Velho(a) Sábio(a) em nós, constituindo-se num dos símbolos do Self, assim como o é a pedra. "



ALQUIMIA

Hoje você veste azul, e eu vou ao seu encontro de vermelho,
pronta prá morrer (e renascer!) em seus braços,
mas também absolutamente dona de mim,
responsável pelo que sou e pelo que não sou.
Minha água é limpa e meu lago é profundo,
a vegetação é densa e há vida por toda parte...

No meio do caminho, vou encontrando pedras,
e sei, com a sabedoria das vidas que já vivi,
e de outras que me contam as coisas
(que os ventos sopram em meus ouvidos),
que o meu pote de ouro vai se formando
a partir das pedras que acolho em meu cesto de cipó –
sabia que tenho vocação para alquimista?

Para saber isso basta enxergar
(e isso eu já nasci sabendo)
a árvore dentro da semente, a luz dentro do escuro.
Mas prá fazer isso já é outra história...
Tem a calcinatio, a solutio, a sublimatio, a coagulatio...
um monte de vezes a gente morre e renasce,
até se estar muito purificado.

Depois de muitos banhos: de água, de fogo,
Depois de ficar leve como o vento, planar horizontes,
tocar o chão com a palma da mão,
rolar nas folhas e se banhar na lama,
curvar-se sobre si mesmo e beijar o próprio coração, a gente se casa...

E estamos aqui, brincando de tirar os 7 véus
(e os que nós ainda colocamos sobre esses)
para enfim descobrir que viver é um pouco brincar
de esconde-esconde, se perder e se achar,
até cansar e descobrir que se somos luz, podemos mesmo atravessar portais, e alcançar o que parece muito, muito longe...
(Patrícia Pinna Bernardo, 1995)

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