"Que te devolvam a alma homem do nosso tempo. Pede isso a Deus ou às coisas que acreditas: à terra, às águas, à noite desmedida. Uiva se quiseres, ao teu próprio ventre se é ele quem comanda a tua vida, não importa... Pede à mulher, àquela que foi noiva, à que se fez amiga. Abre a tua boca, ulula, pede à chuva. Ruge como se tivesses no peito uma enorme ferida, escancara a tua boca, regouga: A ALMA. A ALMA DE VOLTA." (Hilda Hilst)

13/12/2009

XXIII Moitará: Mitologia dos Orixás

"Em cada esquina de minha alma existe um altar para um deus diferente" (Fernando Pessoa)

"Sou um construtor de altares. Construo meus altares à beira de um abismo. Eu os construo com poesia e beleza. Os fogos que acendo sobre eles iluminam o meu rosto e aquecem o meu corpo. Mas o abismo continua escuro e silencioso..."(Rubem Alves)

O XXIII Moitará, promovido pela Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, que aconteceu em Campos do Jordão em 27, 28 e 29 de novembro de 2009, reuniu pesquisadores de diversas áreas falando sobre a Mitologia dos Orxiás.

Foi um grande prazer participar desse Moitará, que versou justamente sobre o tema do meu novo livro, e que não por acaso é um tema que está atualmente em evidência, já que nos coloca em contato com a riqueza de símbolos presentes na constituição de nossa alma multicolorida... E como disse, com tanta propriedade e sabedoria que lhe são características, o meu querido amigo e supervisor do meu Pós-doutorado Marcos Ferreira Santos (FEUSP) em um de seus textos:

"...a herança ancestral é muito maior e mais durável (grande duração) do que a minha existência (pequena duração). Esta herança coletiva pertence ao grupo comunitário a que pertenço e me ultrapassa. Desta forma, temos com esta ancestralidade uma relação de endividamento na medida em que somos o futuro que este passado possuía e nos cabe atualizar as suas energias mobilizadoras e fundadoras. Num resumo: nossa dívida com a ancestralidade é sermos nós mesmos."


"...as vozes ancestrais sempre brotam de nossos porões, daquilo que trancafiamos sem nos darmos conta do que fazemos ao negligenciarmos a ancestralidade que vive através de nós mesmos. Daí a dificuldade em lidarmos com as questões concretas e pragmáticas da vida cotidiana. É preciso ouvir as vozes que ecoam. E elas sempre ecoam de dentro."
(Marcos Ferreira Santos)

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