"Que te devolvam a alma homem do nosso tempo. Pede isso a Deus ou às coisas que acreditas: à terra, às águas, à noite desmedida. Uiva se quiseres, ao teu próprio ventre se é ele quem comanda a tua vida, não importa... Pede à mulher, àquela que foi noiva, à que se fez amiga. Abre a tua boca, ulula, pede à chuva. Ruge como se tivesses no peito uma enorme ferida, escancara a tua boca, regouga: A ALMA. A ALMA DE VOLTA." (Hilda Hilst)

05/11/2008

Êxtase

Roço a tua pele com palavras sussurradas
E solto meus peixes em tuas águas...
Resgato assim o mar que me fez quente
E a capacidade de me deixar ser aninhada

Cola a tua barriga no meu ventre
Ondulando a ponte que nos une corpo e mente
Fecundando o tempo de ser, em êxtase,
Parte e todo, viajante e estrada

Prazer e dor de viver intensidades...
Como caber-se em um só peito
Diante do tremor de abrir-se em dois?

Desse sol transbordando noite adentro
Desdobrando-se em fogueiras, incendiando a lua
Que então mostra-se cheia, nua...
(Poema de minha autoria, 2001)


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